Cerca de 83,5% da área rural do Município está tomada por pastagens, o que representa 43 mil hectares
A fruticultura poderá se transformar, no futuro, na redenção dos ruralistas de Bauru. A afirmação é do secretário municipal de Agricultura e Abastecimento, Cynise Pereira Leite, 67 anos. Segundo ele, além de proporcionar uma boa remuneração, a produção de frutas vai fomentar a geração de empregos e atrair milhares de pessoas de volta ao campo. Esse é o caminho mais curto para tirar proveito do solo arenoso do Município, impróprio para culturas anuais, como arroz e feijão, entre outras.
A vocação de Bauru hoje é a fruticultura. Ela proporciona o retorno rápido do capital empregado e para cada hectare plantado, gera quatro empregos, diz o secretário. Leite afirma que estão equivocadas as pessoas que pensam que o solo de Bauru é um abacaxi, ou seja, uma terra imprestável e pouco produtiva.
Esse é um conceito errado. Temos que levar em conta o mau uso do solo no passado. O que precisamos fazer é recuperá-lo, sugere. Os números do setor agrícola de Bauru sugerem a necessidade de transformações.
De um total de 51,4 mil hectares de terra, 43 mil estão tomados por pasto; outros 2,4 mil abrigam culturas perenes e 1.079, anuais. Da vegetação natural, restou pouco: 3,8 mil hectares. Mais de 500 hectares estão inaproveitáveis por erosões e 660 estão tomados por reflorestamento. O secretário avalia que 43 mil hectares de pasto são terras pouco aproveitadas. Precisamos rever isso.
Nessa área de pasto estão cerca 32 mil cabeças de gado de corte, seis mil de leite, 10 mil de gado misto (leite e corte), 2,5 mil ovinos e 2,5 cavalos. O Município abriga, ainda, quatro mil cabeças de suínos, 2,2 milhões de aves, das quais 73 mil são de postura (ovos).
De acordo com o secretário, a área rural de Bauru é formada por cerca de 600 propriedades, cuja população é de, aproximadamente, cinco mil habitantes. A eletrificação rural atinge quase 100% das propriedades, garante.
Estradas
Leite explicou que na lista de principais reivindicações da categoria figura a recuperação das estradas municipais que cortam a zona rural. São 580 quilômetros de vias, dos quais 70%, segundo seus cálculos, estão em boas condições de uso. A maioria das reclamações ocorre em dias de chuva, quando alguns trechos ficam intransitáveis.
A manutenção dessas estradas estão subordinadas diretamente à Secretaria Municipal de Obras. A pasta da Agricultura e Abastecimento não possui máquinas para fazer esse tipo de atendimento. Nos próximos meses, a Prefeitura estará dividindo com outros municípios da região, em sistema de rodízio, um conjunto de quatro máquinas destinadas à recuperação de estradas de terra. Em convênio com o Governo do Estado, 28 pontes metálicas vão substituir as de madeira que oferecem condições precárias de tráfego.
Atualmente, dois tratores equipados atendem a micros e pequenos produtores rurais no preparo de solo para plantio. A secretaria está desaparelhada, mas aos poucos vamos atendendo as necessidades do setor. Leite diz que precisaria de veículos para prestar atendimento a extensão rural, profissionais da área de agronomia, veterinária e maquinário para manter as estradas em condições ideais de tráfego.
A secretaria, formada por 15 servidores municipais, tem um orçamento de R$ 290 mil para este ano, dos quais R$ 233 mil estão reservados para a folha de pagamento.
Junção de nomes
O secretário municipal de Agricultura e Abastecimento, Cynise Pereira Leite, tem um nome pouco comum, para não dizer único. Segundo ele, seu nome é a junção de Cinira com José, seus pais. Antes do filho nascer, o casal já havia decidido que ele se chamaria Cynise, independentemente de ser homem ou mulher, já que o nome é aplicável tanto no masculino como no feminino.
Dificilmente alguém que o veja pela primeira vez não pede para repetir o nome. Já me acostumei, diz, conformado. Nascido em Bauru, o secretário considera-se um homem da terra. Desde 1958 está envolvido nos negócios da zona rural. Plantou café e criou gado de corte no passado. Hoje, comanda o Acampamento Tibiriçá, de sua propriedade, localizado no distrito do mesmo nome, às margens da rodovia Marechal Rondon. A propriedade tem como principal atividade o turismo rural.
Leite explicou que essa é a primeira vez que assume cargo no Poder Público. Está sendo uma experiência muito valiosa, comenta. Na sua opinião, os produtores rurais precisam partir para a profissionalização, sob pena de serem vítimas do atual sistema econômico e financeiro. O caminho é o agronegócio. Com isso, é possível agregar um valor maior a produção.