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Cautela em 2001

(*) Miguel Ignatios
| Tempo de leitura: 3 min

Foi só a indústria voltar a crescer, no ano passado, para os brasileiros, otimistas inveterados, começarem a comemorar o que, para alguns, já seria o início da retomada do tão esperado desenvolvimento auto-sustentado. Contribuiu para aumentar o choque de euforia de todo começo de ano, a inesperada queda da taxa básica do juro americano de 6,5% para 6%. Os mais exagerados já esperam, com ansiedade, que um novo recuo na taxa Selic, atualmente em 15,75%, seja o ponto de partida de um novo ciclo de prosperidade, semelhante aos anos do milagre, no período 1968-75. É preciso ter um pouco de cautela ao analisar as perspectivas de 2001.

O primeiro enigma a ser decifrado, neste início do século 21, é, sem dúvida, se a poderosa economia americana continuará - como fez ao longo de toda a década de 90 - a crescer, ou se, ao contrário, mergulhará num processo recessivo. Os indicadores disponíveis até agora (queda nas expectativas de lucros das empresas no último trimestre de 2000, aumento de pessoas requerendo o auxílio-desemprego e o corte de meio ponto percentual no custo do dinheiro) não são conclusivos.

A discussão em moda hoje, nos Estados Unidos, é se o todo-poderoso mr. Greenspan, presidente do Fed (o Banco Central de lá), baixou a taxa básica dos juros para manter a economia em contínua expansão ou se, ao contrário, para reagir ao início de uma previsível recessão, que os economistas preferem chamar de aterrissagem suave.

A ambigüidade aumenta mais ainda com a insistência de George W. Busch no corte dos impostos, particularmente no Imposto sobre a Renda. Greenspan, por sua vez, não concorda com tal medida, achando-a prematura. A conclusão que de pode tirar de tudo isso é que teremos de aguardar algum tempo (uns dois ou três meses) para sabermos ao certo qual será a tendência da economia americana ao longo deste ano.

Bem, mas a pergunta óbvia é o que devemos fazer enquanto os rumos da economia americana não se definirem claramente? Apenas duas coisas, mais do que necessárias, e que se encaixariam à perfeição quaisquer que venham a ser as tendências futuras das economias americana, européia e japonesa: em primeiro lugar, desonerar, com urgência, os setores produtivo e exportador; e, em seguida, diversificar nossa pauta de exportações, tanto em produtos quanto em mercados, não esquecendo do esforço na área de turismo receptivo.

Com essas medidas, em pouco tempo, a economia brasileira tornar-se-ia diferenciada em relação às das demais nações emergentes, que, em geral, ainda lutam para reduzir seus déficits públicos e para produzir superávits comerciais. Nessas duas questões, levamos uma razoável vantagem em relação aos nossos concorrentes, já que conseguimos estancar o crescimento desordenado e caótico dos gastos públicos, em todos os níveis de governo; e estamos retomando o esforço exportador, interrompido nos dois primeiros anos da administração Collor, e acentuado desde 1994 (Plano Real) até janeiro de 1999.

É preciso que o governo reduza as especulações a respeito da conjuntura internacional, até porque elas são inúteis em cenários que mudam constantemente, e se concentre, com afinco, na continuidade das reformas, em especial a tributária e a fiscal.

(*) Miguel Ignatios é presidente da Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil (ADVB) e da Fundação Brasileira de Marketing (FBM). e-mail: presidencia@advbfbm.org.br

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