As micro e pequenas empresas (MPEs) do Estado de São Paulo apresentaram, em novembro, uma trajetória de recuperação no que diz respeito ao faturamento e ao pessoal ocupado. Em média, houve um crescimento de 2,7% no faturamento nominal dessa categoria de empresas, conforme constatou a Pesquisa de Conjuntura das Micro e Pequenas Empresas Paulistas (Pecompe), realizada em parceria pelo Sebrae-SP e pela Fundação Seade.
Os resultados mostram que, em novembro, por setores, o destaque foi a indústria, que apresentou aumento de 11,4% no faturamento, em comparação a outubro de 2000. O comércio teve variação negativa (-1,1%) e serviço registrou variação de 0,5% sobre o mês anterior. A expressiva elevação do faturamento da indústria reflete a sazonalidade positiva, proporcionada pelas vendas ao Comércio no final do ano.
Para o economista e professor universitário Carlos Roberto Sette, a inflação manteve-se em queda e o nível de atividades, bem como o emprego, em alta. Ele destaca que o Interior do Estado confirmou a liderança na recuperação sustentada das MPEs.
No acumulado do ano (janeiro a novembro de 2000), pode-se observar a recuperação das MPEs: o faturamento médio ficou 2,8% acima do registrado de janeiro a novembro de 1999. A indústria apresentou um faturamento 5,5% acima do igual período do ano anterior; o comércio ficou 2,4% acima de janeiro-novembro 1999, e serviços registrou oscilação negativa de 0,9% em relação à performance acumulada de janeiro a novembro de 1999.
Em 12 meses, o crescimento médio do faturamento ficou em 9,4%, sendo que a indústria teve aumento de 20,3%, o comércio de 6,4% e os serviços de 3,3% (veja quadro).
Emprego
Carlos Sette lembra que, em relação ao pessoal ocupado, em novembro de 2000, houve uma pequena variação negativa de 0,3% sobre outubro de 2000 e um aumento de 2,9% no acumulado janeiro-novembro de 2000. Houve um aumento de 9,1% em relação a novembro/99.
Os gastos com salários, analisa Sette, registraram variação positiva de 17,6% em relação a novembro/99. Em relação a outubro de 2000, a variação foi de 34,3%. Este resultado deve-se ao pagamento da primeira parcela do 13.º salário. Na comparação entre o acumulado janeiro-novembro 2000 e janeiro-novembro 1999, os gastos com salários apresentaram elevação de 7,7%.
De acordo com o economista, no setor industrial, as empresas que produzem bens de consumo imediato lideraram o ranking de crescimento; no setor comercial, as empresas atacadistas puxam o indicador para cima; no setor de serviços, o segmento de serviços prestados por empresas lidera a tabela, seguido pelos serviços de transportes, armazenagem e distribuição.
A performance do mês de novembro, lembra Sette, anunciava um final de ano positivo em relação à economia brasileira. O que de fato ocorreu. O comércio varejista teve um crescimento 5% maior no mês de dezembro em relação a dezembro/99, o que mudou os resultados do desempenho acumulado do setor no ano passado. Com o empréstimo feito pelo FMI à Argentina, atenuou-se os rumores de uma grande crise no país vizinho e que traria conseqüências negativas ao Brasil. Também com a queda anunciada e confirmada dos juros nos Estados Unidos, foi possível o Banco Central do Brasil baixar sua taxa básica de juros. Isso proporcionou um entusiasmo na economia, com baixas de taxas dos cheques especiais e de algumas linhas de capital de giro das empresas, afirmou.
Para Carlos Sette, o setor que vem derrubando mais lentamente os juros são as financeiras, que bancam as vendas a prazo no varejo. Isso não se justifica, pois os números oficiais mostram queda da inadimplência e volta do emprego. Acontece que financiar vendas a prazo ao consumidor representa, na maioria dos casos, um grande ganho para as empresas que fazem, visto que as taxas de juros são altas e trazem uma boa remuneração para as organizações - muitas vezes, superior mesmo, ao lucro das vendas das mercadorias.
De acordo com Carlos Sette, o cenário futuro continua favorável e será possível às MPEs manter os ganhos acumulados ao longo do ano passado. Ele diz que a postura, contudo, deve ser de cautela, pois há necessidade de se confirmar o crescimento das vendas no primeiro trimestre deste ano, geralmente, um período de comportamento moderado. Neste início de ano, as indústrias têm mais chance de manter a performance e o comércio sofrerá as conseqüências das transferências de gastos do consumidor para outras despesas características da época como pagamento de IPVA, IPTU, matrículas e livros escolares, férias, etc., afirmou.
Assim sendo, ensina o economista, as MPEs devem aguardar sinais mais claros do fortalecimento da demanda de seus produtos no mercado, antes de pensar em qualquer expansão de seus negócios.