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Mais produção, mais empregos

(*) Antonio Delfim Netto
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Crescimento dos níveis de emprego no setor industrial e reais perspectivas de expansão da produção agrícola, com alguma recuperação da renda dos agricultores. São duas boas notícias que nos permitem alimentar esperanças de um melhor comportamento da economia este ano, após um longo período de crescimento medíocre. Escialmente no setor agrícola, que desde o início do plano Real viu a sua renda murchar dramaticamente. Os levantamentos sobre o cultivo das lavouras na região Centro-Sul que responde por mais de 80 % da produção nacional confirmam um ligeiro aumento da área de plantio de grãos. Essa perspectiva é reforçada com os dados relativos aos investimentos dos agricultores, que estão comprando mais tratores e implementos e utilizando maiores quantidades de fertilizantes. O principal instrumento de financiamento dos chamados insumos modernos é a agência Finame, administrada pelo BNDES, que recentemente divulgou uma expansão da ordem de 72 % nos créditos concedidos através da rede bancária, em relação ao período da safra anterior. O clima ajudando e mais o aumento de produtividade verificado nos últimos anos, devem resultar num salto na produção agrícola : podemos ter um crescimento substancial na colheita de grãos da atual safra de verão, superando em 7% ou 8% o volume observado na safra do ano passado. Certamente as colheitas vão ajudar, como ajudaram em todos esses anos, a abastecer o mercado interno agora ligeiramente aquecido com o crescimento do PIB e do emprego, como também para não dizer que não falei de flores a ampliar nossas exportações. São inaceitáveis os motivos pelos quais o governo do presidente Fernando Henrique manteve durante tanto tempo um viés anti-exportador. No caso da agricultura, alegou-se que de nada adiantava expandir a produção e as exportações de soja, por exemplo, por que derrubaríamos as cotações no mercado externo e os ganhos seriam nulos. Se se confirmar o aumento da produção este ano, vamos poder comprovar que, se vendermos mais tres milhões de toneladas, talvez isso represente uma queda de uns 3% ou 5% no preço externo, mas com um acréscimo de renda altamente compensador no resultado final. O único problema que pode acontecer, realmente, será um pequeno incômodo para a administração americana, que terá que aumentar o subsídio aos seus produtores para compensar a queda das cotações de soja. Não temos por que derramar lágrimas por isso ... Aliás, eles é que estão certos, como é justo reconhecer também o nosso Ministério da Agricultura agiu certo este ano, ao convencer o governo a perder o medo da palavra subsídio e a melhorar substancialmente as condições do crédito para custeio e investimento. E está em vésperas de uma excelente colheita. A outra boa notícia é a verificação que o nível de emprego está subindo, notadamente o emprego industrial, após quatro anos de compressão do mercado de trabalho. Ainda não voltou aos níveis de 1996, mas vem crescendo desde o segundo semestre do ano passado e continua subindo. Um dado importante é que também a taxa de desemprego começou a reduzir-se, o que significa que estão se abrindo mais empregos do que os novos chegados ao mercado de trabalho. Finalmente, as coisas vão se ajustando e confirmando aquilo que todos sabem: o problema do desemprego só começa a se resolver quando a economia volta a crescer e é o que está acontecendo, à medida em que o País vai atingindo um ritmo de desenvolvimento superior ao que tivemos em toda a década passada.

(*) Antonio Delfim Netto é deputado federal pelo PPB-SP, professor emérito da Faculdade de Economia e Administração da USP e ex-ministro da Fazenda, Agricultura e Planejamento -E-mail: dep.delfimnetto@camara.gov.br

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