A presença de migrantes em Bauru é facilmente observada quando se coloca em foco a movimentação política local. Entre os cinco últimos homens que chegaram ao cargo máximo do Palácio das Cerejeiras, apenas Nilson Costa é bauruense.
A ascendência local, aliás, motivou o então candidato do PPS e seu vice, Dudu Ranieri (PFL), também bauruense, a denominarem sua chapa de 100% Bauru. Já Osvaldo Sbeghen (PTB), Tuga Angerami (PSB) e Tidei de Lima (PMDB) vieram de outras cidades da região. O deputado estadual Pedro Tobias (PDT) é originário do Líbano.
Tanto Tuga e Tidei quanto o prefeito cassado Antonio Izzo Filho, que é de Piraju, vieram a Bauru para estudar nos cursos universitários locais, envolvendo-se paralelamente ou posteriormente com a política, para depois se lançarem candidatos a cargos públicos.
Entre os 21 vereadores eleitos, oito não são nascidos em Bauru. Nesse grupo estão, por exemplo, os colegas Pastor Luiz e José Humberto Santana, ambos do PDT e vindos de outros Estados brasileiros.
No grupo de lideranças político-partidárias, a situação é parecida. A diferença em relação aos demais segmentos políticos é que os líderes vieram a Bauru, em sua maioria, para cumprir tarefas do partido. Esse foi o caso de Natan Chaves, vice-presidente do diretório municipal do PSDB.
Nascido em São Paulo, Natan veio pela primeira vez a Bauru em 1996. Depois, em 1997, participou da inauguração do escritório regional da Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp) em solo local.
Desde então, seus laços com as comunidades contábil e empresarial, e conseqüentemente com a cidade, se estreitaram, a ponto do tucano ser apontado pelo PSDB como candidato a deputado federal para a região Central, dobrando com Edmundo Albuquerque.
Como candidato, a vinda de Natan para Bauru acirrou os ânimos políticos. Fui chamado de pára-quedista, mas a população mostrou que não tinha preconceito. Recebi 4 mil votos, sendo o terceiro mais votado da cidade, relembra.
Residente no município há quatro anos, o tucano garante que gosta de Bauru e fica feliz em perceber a abertura que o município dá a novos empreendimentos comerciais. Apesar disso, ainda não conseguiu se adaptar ao ritmo dos restaurantes. Como paulistano, meu fuso horário é diferente. Na hora que quero jantar, meus amigos já estão na cama, brinca.