Mais de 60 cursos oferecidos pela Unesp, USP, USC, ITE, Unip e FIB atraem estudantes de várias regiões do País
Com meio século de existência, o pólo universitário de Bauru seduz estudantes de diversas regiões do Estado e do País. Os atrativos são os mais de 60 cursos de graduação oferecidos pelas seis instituições universitárias localizadas na cidade. O grupo é composto pela Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual Paulista (Unesp), Universidade do Sagrado Coração (USC), Instituição Toledo de Ensino (ITE), Universidade Paulista (Unip) e Faculdades Integradas de Bauru (FIB).
Uma das mais novas, a Unip tem 4 mil alunos, distribuídos em 14 cursos. Desse total, 50% são de cidades da região, Norte do Paraná, Goiás e Mato Grosso. No Estado de São Paulo, atingimos um raio de 150 Km, informa Geraldo Magela Alves, diretor da instituição.
De acordo com levantamento realizado pela Unip, parte dos estudantes é atraído pela qualidade de ensino oferecida pela universidade, mas a maioria mesmo vem de olho na infra-estrutura da cidade. Por ser um centro de produção de conhecimento, eles acreditam que a entrada no mercado de trabalho é facilitada, diz Alves, ele próprio um migrante - veio de Araraquara especialmente para dirigir a Unip.
O cenário da USC, uma das instituições universitárias mais antigas de Bauru, não é diferente. Dos cerca de 6 mil alunos matriculados em seus 27 cursos de graduação, 65% são de fora, mas nem todos acabam se mudando para a cidade. Muitos preferem viajar todos os dias, conta Roseane Andrelo, assessora de Imprensa da universidade.
Na Unesp, a maioria dos estudantes vem de regiões distantes do Centro do Estado, o que motiva sua fixação temporária na cidade. Com família em Piracicaba, Melissa De Angelis, estudante de Arquitetura e Urbanismo, está há 5 anos em Bauru, mas pensa em se mudar após a formatura. O campo para Arquitetura é muito restrito e sinto falta da minha cidade, justifica.
Para Melissa, Bauru é descuidada. Além disso, há poucas praças e espaços abertos para o lazer da comunidade, critica. O brasiliense Pablo Frioli de Oliveira Rodrigues, desenhista industrial, tem opinião semelhante a da universitária. Quando cheguei, achei a cidade muito sem cuidados, com mato alto e buracos. Melhorou, mas está longe do ideal, afirma.
Apesar disso e também das poucas opções culturais, Rodrigues gosta de Bauru. Pelo pessoal que encontrei aqui, considero a cidade ótima. Enquanto estiver feliz no trabalho e com os amigos, continuo, mas acho cedo para afirmar que ficarei aqui para sempre, avalia.
Há 10 anos em Bauru, o desenhista industrial Luiz Fernando Fernandes Leite Junior não pensava em permanecer na cidade quando se formou na Unesp. As coisas foram acontecendo sem planejar. Montei uma banda junto com colegas da universidade e fui ficando. Agora, meus planos estão atrelados aos da banda, explica.
Por causa da banda Mercado de Peixe, onde faz o papel de vocalista, Luiz Fernando passou a ser mais conhecido como Juninho Frontman. Paralelo à atividade musical, ele montou uma oficina de marchetaria e é dela que sai o dinheiro para se manter em Bauru e com os companheiros da empreitada artística. Aqui é sossegado, tem pouca violência. O problema é a noite, que é meio devagar. Falta opções culturais, conclui.