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Cecília Peroba: um pedido, uma ordem

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 2 min

Botucatu - O que me motivou a tentar realizar esse carnaval de rua este ano foi um pedido especial de Dona Cecília durante nossa campanha eleitoral. Ela disse que votaria em nós, mas que gostaria que resgatássemos o carnaval na rua. Eu prometi que faria isso, conta o secretário municipal de Desenvolvimento Sustentável de Botucatu, Wado Silva.

Maria Cecília André, ou Cecília Peroba, como é conhecida em toda a região, é a mais famosa porta-bandeira de Botucatu. Aos 74 anos, corpulenta e bem disposta, ela exibe com orgulho os 14 troféus que ganhou em sua história carnavalesca.Eu brinco o carnaval desde os três anos de idade, quando meus pais me levavam para a rua e ainda só havia duas escolas. Eu saía na escola da Vila Maria, mas sou de todas a escolas. Todos brigam por minha causa, todos me querem, conta.

Dona Cecília disse ao JC que todo mundo reclamava da falta do carnaval de rua. Mas ninguém tinha peito de falar. Então, eu falei. Eles estão se movimentando, vão fazer uns blocos para desfilar. É melhor que tenha qualquer coisa, que ficar sem o carnaval. Mas ano que vem, se estiver com vida e saúde, quero ver saírem todas a escolas, perfeitamente igual saía antes.

Defensora incontestável do carnaval de rua, ela ressalta que carnaval de salão é gostoso e não é. Na rua, ninguém pode pôr a mão em você. Você samba e ninguém põe a mão. No salão, você nem vê nada. Precisa ter o carnaval popular de rua.

Questionada sobre sua participação no desfile deste ano em todas as escolas - já que é tão disputada -, ela diz que não sabe se vai participar. Conta que perdeu uma grande amiga recentemente e que não está no espírito de carnaval. Mas se eles vierem me buscar eu vou, né? Tenho que ir, tem que fazer a vontade do povo, né?

Com certa dificuldade para enxergar, por um problema nervoso recente, ela garante que isso não a impediria de brincar o carnaval: Ih, por causa do olho não. Eu já fui. Quando operei de catarata, falei para o doutor: Me tira daqui, que eu vou pular. Saí do hospital e pulei carnaval. O médico me cercava na rua e dizia: Cuidado, d. Cecília. Tenha cuidado, lembrou.

Mas ela observou que só vai participar do desfile se a forem buscar em casa, comprometendo-se a levá-la de volta. E eu tenho que sair no carro (alegórico), porque com a vista desse jeito, tenho medo de me prejudicar nas lombadas.

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