Remar por mais de cinco horas sob o sol e chuva. Dar aula numa sala com chão de terra de batida e teto de sapê. Ensinar homens, mulheres e crianças pobres a ler e escrever.
Essa é a história de Orisvaldo, um garoto de 21 anos que saiu de Portel, Interior do Estado do Pará, veio para Bauru fazer o curso de alfabetização que a Universidade Sagrado Coração (USC) estava oferecendo, em 1998, e voltou à sua terra natal com a missão de alfabetizar pessoas carentes, que não têm acesso à escola.
Assim como Orisvaldo, todos os anos, pessoas do Norte e Nordeste do País, dispostas a aprender como lecionar para crianças e adultos carentes de seus municípios, vêm para Bauru fazer o curso que a USC oferece.
Trata-se do projeto Alfabetização Solidária, uma parceria de empresas privadas com o Ministério da Educação, que tem o objetivo de capacitar professores para ministrar aulas para crianças e adultos de municípios carentes, nos quais o índice de analfabetismo ultrapassa de 30%.
A USC está recebendo, até o dia 29 de janeiro, 112 pessoas que estarão participando desse curso.
Com a intenção de prestar serviços à população, a USC recebe, duas vezes por ano, um grupo de pessoas para a realização do curso que tem 10 horas/aula por dia e uma grade de disciplinas pedagógicas com matérias como metodologia de ensino e a importância da música e da poesia dentro da educação.
De acordo com Maria Aparecida Corazza, coordenadora pedagógica do projeto na USC, até o ano passado, a universidade acompanhava cinco municípios do Norte do País, mas, a partir deste ano, mais quatro municípios, incluindo alguns do Nordeste, serão incorporados ao projeto.
Cada município tem dez alfabetizadores com 25 alunos cada, conta Maria Aparecida. Cada um desses professores voluntários ganha uma bolsa auxílio de R$ 120,00 por mês e recebe visitas mensais da universidade, que acompanha de perto a evolução das turmas.
Os professores, que nem sempre possuem formação acadêmica, trabalham lecionando três horas por dia, de segunda a sexta. Cada curso de alfabetização tem duração de cinco meses.
Histórias
A história de Orisvaldo se repete diariamente em várias outras regiões do Brasil. Desde 1998, esse garoto já ensinou, pelo menos, 300 pessoas a ler e escrever. De tanto amor pela profissão, pegou mulher e filhos, colocou dentro da canoa e se mudou para a mesma sala onde leciona, aquela, com teto de sapê, paredes de tijolos crus, chão de terra batida e iluminada por quatro lamparinas.
Até mesmo os supervisores do programa já passaram por dificuldades. A professora Helen Copede, que auxilia nas visitas do programa, conta que também já passou por alguns imprevistos.
Em uma visita ao município de Hidrolândia, no Interior do Estado do Ceará, quase não conseguiu chegar à escola. Havia chovido muito e o acesso ao município só se dava através de motocicleta. No meio do caminho, o pneu furou e não tínhamos onde pedir socorro. Chegamos ao município muito tempo depois, conta Helen, lembrando as dificuldades de locomoção e acesso à esses municípios que o programa visa auxiliar.