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Falhas prejudicam programa de tarifa reduzida na CPFL

Fernando Penna
| Tempo de leitura: 3 min

A falta de informação para a população e as falhas no atendimento estão prejudicando o programa de tarifa reduzida na Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL). O programa criado a partir de uma determinação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para que as concessionárias propiciassem condições de acesso a eletricidade para as famílias mais pobres.

Para ingressar no programa, o consumidor precisa se enquadrar em três pré-requisitos: ter ligação de sua residência monofásica, ter consumo inferior a 220 quilowatts por hora (kWh) e sua carga instalada não deverá ultrapassar 6,2 mil Watts(W). A carga instalada é obtida com a soma da potência de todos os aparelhos eletrodomésticos e das lâmpadas da casa.

Os consumidores, segundo o Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo, estão encontrando dificuldades para obter o benefício. Ciente de estar dentro desses pré-requisitos, o policial militar Ivan Carlos Mota decidiu solicitar o benefício. Porém, o que parecia algo simples, começou a parecer uma missão impossível. Primeiro a atendente não soube passar as informações corretas. Mesmo tendo superado essa primeira dificuldade, ele ainda não teve seu pedido atendido. O primeiro contato de Mota com a CPFL, foi feito no dia 3 de outubro de 2000.

A reportagem do JC teve acesso a gravação do atendimento de Mota. Durante a conversa, a atendente diz a ele, que as tomadas entram na soma de carga instalada e que as lâmpadas não são computadas. Ao ser questionada por Mota, que conhecia as regras do programa, a atendente justificou-se dizendo: São normas da Aneel, senhor.

Isso é um absurdo, comentou Carlos Augusto Ramos Kirchner, diretor adjunto do Sindicato dos Engenheiros. Ele explica que não existe nenhuma norma da Agência nesse sentido. As tomadas não são computadas, pois o que entra na soma é a potência do aparelho que estivar ligado nela. Para ele, a falta de informação da população e as falhas no atendimento dificultam o acesso das pessoas ao programa. As pessoas menos informadas têm dificuldade em compreender as exigências da CPFL. Sendo mal orientadas fica praticamente impossível que elas consigam o benefício, disse.

Segundo Kirchner, o Sindicato é contra esse limite de carga instalada, por considerá-lo antidemocrático. Apesar disso, as pessoas que encontrarem dificuldades para solicitar a inclusão, podem procurar o Sindicato dos Engenheiros. Somos contra, mas já que essa é a regra, nós orientamos os consumidores, para que eles atendam às exigências. Por exemplo, uma simples troca de resistência pode fazer a potência de um chuveiro de 5,4 mil W cair para 3 mil. Com essa e outras dicas, o consumidor consegue ficar dentro do limite de 6,2 mil W, afirmou.

O gerente de Comunicação da CPFL, Augusto Rodrigues, afirmou que os problemas de atendimento já estão sendo solucionados. Trabalhamos com uma equipe grande, que está sendo treinada constantemente, posso garantir que esse tipo de problema já está superado, disse. Ele explicou que, na central de atendimento (call center), além das atendentes, é mantida uma equipe de pessoas para dar suporte ao atendimento. São todos funcionários com muitos anos de casa. Eles conhecem tudo do setor e colaboram nas orientações.

O gerente de serviços de campo Wilson Maldonado Júnior, responsável pela área de Bauru, disse não saber o motivo na demora do atendimento no caso de Mota.

Vou verificar o que aconteceu e solucionaremos o problema o mais rápido possível. Esse foi um caso isolado, que não deverá se repetir, afirmou

Serviço

O Sindicato dos Engenheiros fica na rua Domiciano Silva, 6-47. O telefone é (14) 224-1970.

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