Geral

A autuação do político brasileiro

(*) Marcos Cintra
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A construção de uma nação justa, livre, soberana e próspera demanda instituições políticas sólidas, que tenham credibilidade junto à sociedade. O Brasil, de certa forma, ainda engatinha quando comparado às nações que se tornaram protótipos de democracia como Estados Unidos, França, Canadá e Inglaterra, países que contam com partidos políticos bem estruturados e parlamentos fortes e atuantes. A questão dos partidos políticos no Brasil deve entrar na pauta do Congresso em 2001. A tendência é que tenhamos no País um número bastante reduzido de partidos e a fidelidade partidária se torne realidade. Em termos de atuação parlamentar, há dados que mostram que o parlamentar brasileiro é um dos mais atuantes do mundo, ao contrário do que comumente se noticia na imprensa. Em recente discurso no plenário da Câmara Federal, o deputado Severino Cavalcanti (PPB/PE) apresentou dados que deitam por terra a pecha de que o parlamentar brasileiro não produz.

O deputado rebateu o vício de se medir o trabalho legislativo pela presença dos parlamentares no plenário. Severino Cavalcanti expôs com muita propriedade o trabalho dos deputados nas comissões, onde na realidade os projetos são analisados e discutidos. Como membro de várias comissões, sei o quanto as atividades nelas desenvolvidas são fundamentais para que os projetos cheguem ao plenário em condições de serem votados. Quanto a apreciação de projetos, o deputado Severino Cavalcanti apresentou números positivos a respeito da atuação dos parlamentares brasileiros. Enquanto que o parlamento alemão aprecia por ano cerca de 150 projetos, o canadense 200 e o inglês 130, o brasileiro analisa aproximadamente 3 mil propostas.Por fim, citou dados referentes ao número de dias que os parlamentares de alguns países atuam. Em 1999, os canadenses trabalharam 115 dias de sessão, os americanos 139 dias, os ingleses 86 dias e os brasileiros 160 dias.

Portanto, não faz sentido as críticas sem fundamentos que a imprensa geralmente tem feito aos parlamentares brasileiros. Essa atitude, além de não ser justa, não colabora em nada para o fortalecimento da democracia.A imprensa tem um papel de grande peso na fiscalização do homem público, mas tripudiar de modo barato e irresponsável o Congresso é algo que não irá ajudar na busca de uma sociedade mais justa e humana.

(*) Marcos Cintra Cavalcanti de Albuqerque, é doutor em economia pela Universidade de Harvard (EUA) e professor-titular e vice presidente da Fundação Getulio Vargas.

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