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Nilson e Natan iniciam conversações

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 4 min

O prefeito Nilson Costa (PPS) tentou, mas não conseguiu atenuar o impacto do encontro que manteve ontem com o vice-presidente da Executiva municipal do PSDB, Natan Chaves. Visita de cortesia, cumprimento pela posse e bate-papo informal entre amigos foram as expressões mais utilizadas pelos dois para definir a reunião que durou uma hora e 30 minutos. Após deixar o Palácio das Cerejeiras, o tucano apontou seu bico em direção à Câmara Municipal.

Foi a vez do presidente do Poder Legislativo, vereador Walter Costa (PPS), recebê-lo para uma visita de cortesia. Hoje, Natan vai tomar uma água com o presidente do Departamento de Água e Esgoto (DAE), Dudu Ranieri, que também acumula as funções de vice-prefeito e presidente da Executiva municipal do PFL. Como se percebe, o tucano iniciou o ano alçando vôos, mas com o radar apontado sempre para a mesma base: o PPS.

O dirigente do PSDB já havia tornado público seu desejo de encontrar-se com Nilson e a cúpula de seu partido. Iniciou as conversações pelo detentor do maior cargo da cidade: o prefeito. Se sua estratégia, apoiada por um grupo da legenda, vai dar certo, é uma questão de tempo. Há resistências dentro do partido. Uma delas é o vereador Antonio Garmes (PSDB), que já se declarou radicalmente contra a aliança com a Administração. No contraponto, está o vereador Edmundo Albuquerque (PSDB), que apóia a aliança.

Foi uma visita de cortesia, resumiu Nilson sobre o encontro que manteve com Natan. Segundo ele, não se trata de um entendimento oficial, mesmo porque o prefeito esclarece que não conversou, ainda, com o comando do PPS sobre uma aliança com o PSDB. Como ele (Natan) não esteve presente na posse, agendou uma visita para me cumprimentar, esquivou-se.

O prefeito, no entanto, continua afirmando seu desejo de ter o PSDB na Administração. Vejo com simpatia essa possibilidade de aproximação. Em se tratando de um contato inicial, acho que foi bom. Ele acha importante o governo municipal se esforçar pela abertura de um canal mais articulado com as esferas governamentais federal e estadual. Nilson sabe que a aliança encontrará resistência por parte de alguns setores do PSDB. Não há convergência total, avalia.

O prefeito acredita que a situação vai ficar mais clara após o dia 17, data em que o PSDB vai realizar um encontro em São Paulo para definir estratégias visando as eleições de 2002. Após essa data, acho que teremos uma manifestação oficial por parte da direção local do partido, acredita.

Paquera

Se Nilson procura ser discreto e cauteloso em suas declarações quando o assunto é o PSDB, o mesmo não acontece com Natan Chaves. Estamos em fase de namoro. Sabe aquela coisa de um ficar piscando para o outro?, conta, em linguagem figurada, para ilustrar o clima que cerca as partes interessadas.

O tucano confirmou a avaliação feita pelo prefeito. No próximo dia 17, o partido discutirá as diretrizes e depois vamos tomar um rumo. O vice-presidente da legenda não acredita que na reunião da Executiva municipal agendada para o próximo dia 10 será possível discutir a aliança com a Administração.

Vamos estar envolvidos com a organização do encontro do dia 17, em São Paulo, justifica. Nessa reunião, o tucano diz que conversará com o ministro da Educação, Paulo Renato Souza, e com o ministro da Saúde, José Serra. Vou expor aos meus líderes (Paulo Renato e Serra) a conversa que mantive com o Nilson, adianta.

O assédio político de Natan não pára na esfera Executiva. Logo após apertar a mão do prefeito, ele se dirigiu à Câmara. A conversa com o presidente do Legislativo, vereador Walter Costa, ocorreu no mesmo tom daquela que foi empregada no Palácio das Cerejeiras. Na Câmara, o tucano tem interesse em conversar, ao pé da orelha, com pelo menos dois vereadores: Rodrigo Agostinho (PMDB) e José Clemente Rezende (PPS).

O presidente do Legislativo está animado com a paquera entre o PSDB e o PPS. Sou um soldado do partido: para onde o PPS marchar, irei junto, discursa. Walter acredita que as intenções de Natan são boas e vão abrir o canal político de que o prefeito precisa para buscar verbas nos governos do Estado e federal.

Hoje à tarde, às 16 horas, o vice-presidente do PSDB bate asas para o DAE, onde tem encontro marcado com o presidente da autarquia, Dudu Ranieri. O pefelista é outro que vê com bons olhos a aproximação do PSDB. Do ponto de vista da Administração, acho bom se esse entrosamento se concretizar. O PSDB comanda os governos do Estado e federal, lembrou.

Para o vice-prefeito, a aliança política entre as duas legendas não está longe de ser fechada. Ele avalia que o único problema que terá que ser removido será o vereador Antonio Garmes (PSDB). Ele (Garmes) não é de seguir muito as diretrizes do partido. Mas esse é um problema interno do PSDB.

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