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Guia é acusado de violentar crianças

Tânia Fonseca
| Tempo de leitura: 4 min

Os meninos participavam de um projeto cujo coordenador e guia florestal tinha contrato com a Prefeitura de Agudos

Agudos - Denúncias sobre abuso sexual contra crianças carentes levaram a Polícia Civil de Agudos a dar início a uma volumosa investigação cujos depoimentos chegaram a chocar até mesmo policiais. Quatro inquéritos já estão instaurados. As crianças faziam parte do grupo União dos Guias Florestais, criado na administração municipal passada. O acusado, Francisco Liro de Paula Neto, 41 anos, era uma espécie de coordenador do grupo de crianças carentes e já está indiciado sob a acusação de atentado violento ao pudor, de acordo com o artigo 214 do Código Penal Brasileiro.

As denúncias são seriíssimas, como faz questão de ressaltar o delegado responsável pelas investigações, Eron Veríssimo Gimenes, e por isso mesmo serão apuradas com muito rigor. Por enquanto, a polícia já chegou a quatro casos de crianças entre 8 e 11 anos, que teriam sofrido os abusos. O acusado já foi ouvido na Delegacia e teria admitido alguns crimes.

As investigações tiveram início já há alguns dias, depois que os pais de uma das crianças procuraram a Delegacia para relatar a situação vivida pelo filho. O menino teria sido induzido a passar a noite com o guia e contou inclusive que foi violentado sexualmente com penetração anal. No depoimento que deu à polícia, o guia nega que tenha havido penetração. Tanto nesse quanto nos outros casos, o acusado alega que foram apenas carícias. Em depoimento à polícia, ele alegou que era tomado por um impulso incontrolável e que até por conta disso já estaria procurando ajuda de um profissional na área da Psicologia.

Num outro caso, os pais disseram à polícia que só descobriram o que havia acontecido com o filho depois que o menino não quis mais participar do grupo de guias florestais. Com muito tato, os pais da criança teriam conseguido descobrir que na realidade o motivo pelo qual ela não queria mais participar do grupo era o suposto comportamento inadequado do guia. Nesse e também em outros casos, os meninos contaram à polícia que o guia os mandava tirar as roupas e ele próprio também ficava nu. A partir daí, ocorria, então, uma série de obscenidades. Segundo o delegado Eron, as crianças disseram que o guia falava que o ato fazia parte de um teste do projeto.

Ao todo, segundo apurou o delegado, 57 crianças faziam parte do grupo sob coordenacão do acusado. Ontem, Eron requisitou e recebeu as fichas de todos esses meninos, a maioria entre 8 e 12 anos de idade. Todos eles devem ser ouvidos nos próximos dias, bem como seus familiares. O delegado trabalha com a suspeita de que outros casos venham a surgir de agora em diante e até faz um alerta aos pais que tiverem alguma suspeita: Eles devem se dirigir até a Delegacia. Se preferirem podem telefonar. Além do delegado Eron, trabalham nas investigações o agente Ademir, o investigador Campos e os escrivães Emerson e Márcio.

Desses quatro casos que já estão sob investigação, a polícia apurou que a maioria aconteceu durante os passeios por áreas rurais, programados pelo guia. Um deles, no entanto, teria ocorrido na casa do acusado.

Em função das suspeitas, o delegado está fazendo um levantamento sobre as atividades do acusado em outras cidades. Antes de vir para Agudos ele morava em Campinas.

Suspeito era contratado da Prefeitura de Agudos

O homem acusado de molestar meninos foi contratado da Prefeitura Municipal de Agudos, através do Fundo Social de Solidariedade, por um prazo de dez meses. O contrato dele vigorou de 1 de março a 31 de dezembro do ano passado. De acordo com a cláusula primeira do contrato, o ajustado se comprometia a executar para o município, serviços de coordenação de atividades do Projeto Lixo que não é lixo, formando grupos de guias florestais com crianças e adolescentes carentes da cidade, em integração com a reciclagem do lixo, dando palestras, principalmente em escolas, objetivando a educação ambiental.

Ainda segundo o contrato, o município pagaria ao ajustado a importância de R$ 3,2 mil, divididos em dez parcelas de R$ 320,00. Segundo a cláusula terceira, Os serviços correriam por conta e risco do ajustado, sem nenhum ônus ao município.

Octaviani lamenta e pede rigor à polícia

O atual prefeito de Agudos, José Carlos Octaviani (PMDB), disse ontem que só anteontem ficou sabendo, através do delegado de polícia, das graves denúncias envolvendo um contratado da administração anterior. Ele disse lamentar o fato e entende que todo rigor nas investigações será necessário. Sobre o projeto, foi enfático: Dinheiro jogado fora. O contrato terminou no dia 31 de dezembro e não pretendemos dar seqüência.

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