Encarregada da operação tapa-buracos e pela limpeza de praças e bueiros, secretaria é uma das mais acionadas
O maior desejo do titular da Secretaria Municipal das Administrações Regionais (Sear), engenheiro Celso Donizeti, não é diferente dos demais secretários. É dinheiro para poder equipar sua secretaria e desempenhar um bom trabalho junto à comunidade. E dinheiro é o que mais falta na Prefeitura. Choradeira a parte, Donizeti calcula que a Sear necessita de investimentos da ordem de R$ 6 milhões para adqüirir equipamentos de peso.
São máquinas tipo pá-carregadeira, patrol, trator roçadeiro, trator com lâmina e caminhões basculantes, entre outras. O secretário admite que a Sear hoje tem equipamentos para atender de 30% a 40% da demanda real de necessidades da cidade. Mesmo assim, ele avalia que a secretaria vem desempenhando um bom trabalho. Afinal, ela é responsável pelo atendimento de 263 bairros distribuídos em sete regionais.
Cerca de 400 servidores formam as várias frentes de trabalho de responsabilidade da Sear, como equipes de tapa-buracos, de limpeza de bueiros e de terraplenagem. No ano passado, a secretaria gostou um orçamento de R$ 3,8 milhões contra R$ 2,4 milhões previstos no exercício orçamentário deste ano. Com um R$ 1,4 milhões a menos no orçamento, a pergunta é: como atender a uma demanda de serviços com essa verba, cuja curva de solicitações cresce mês a mês?
Nós fizemos um enxugamento no orçamento sem comprometer o atendimento, explica Donizeti. O secretário diz que tem que olhar não só para o setor operacional da Sear. Ele se atenta para cuidar da valorização humana dos servidores. E para isso não poupa esforços. Nós estamos dando a possibilidade aos funcionários de se reciclarem. Pretendemos adqüirir mais equipamentos de proteção individual (EPIs), como botas, capacetes, que vão oferecer ao servidor melhores condições de trabalho, de segurança e conforto.
Infra-estrutura
Donizeti deixa claro que a Sear não executa serviços de infra-estrutura pesada, como pavimentação, por exemplo. Para o secretário, os 400 servidores empregados na pasta são suficientes para atender a demanda. Nesta época do ano, quando as chuvas são mais constantes e provocam mais estragos, a demanda de serviços é maior. Mas mesmo assim, acho que conseguimos prestar um bom atendimento à comunidade que nos solicita.
O engenheiro avalia que a secretaria está conseguindo colocar em prática um bom trabalho preventivo antes da estação das chuvas. Os cerca de 1,3 mil bueiros esparramados pela cidade foram limpos entre outubro e novembro do ano passado, possibilitando um melhor escoamento das águas das chuvas. O interessante são os objetos encontrados pelas equipes nessas boca-de-lobos.
Encontramos tapetes, restos de gesso, tampas de isopor, poltrona, guarda-chuvas, sombrinhas e até mesmo cadeiras. O serviço de limpeza dos bueiros é iniciado no final de setembro porque é nessa época que as folhas das árvores começam a cair, em função do fim da primavera. E muitas donas-de-casa, que não se dão ao trabalho de recolher as folhas em sacos de lixo, aproveitam as bocas-de-lobo para sumir com elas.
Com o objetivo de traçar uma radiografia de cada regional, Donizeti informou que sua assessoria está trabalhando num levantamento que vai cadastrar todo tipo de informação sobre os bairros da cidade. Entre os dados que estão sendo pesquisados constam a densidade demográfica, perfil populacional, estratificação social e econômica, porcentagem de ruas pavimentadas e não pavimentadas, prioridades, sistema de iluminação, telefonia, rede de esgoto, de água e vias de acesso.
Tudo isso para controle de avaliação, medição e aplicação das ações isoladas e de conjunto, dentro dos programas estabelecidos pela Sear, conta.
Movimento popular
Além de técnicos, engenheiros, trabalhadores braçais, a Sear mantém também nos seus quadros a figura do assessor comunitário. A justificativa para manter esse cargo no quadro funcional da secretaria é mais política do que técnica. Eles (assessores) são elos de comunicação entre a comunidade e a Administração, diz Donizeti.
O engenheiro afirma que faz parte da política do prefeito Nilson Costa (PPS) incentivar a retomada da política comunitária. O movimento popular tem que ser mais incentivado em Bauru, opina.
Secretário místico
Trezentos e oitenta e dois títulos na biblioteca que abordam temas sobre o esoterismo. Esse é o número exato de livros que o secretário municipal das Administrações Regionais, engenheiro Celso Donizeti, cuida com muito carinho. Seu hobby é ler e estudar o misticismo. Uma de suas maiores paixões na área são os mistérios que envolvem as pirâmides egípcias.
Donizeti, no entanto, deixa claro que não mistura seu hobby com a profissão que exerce. Formado em engenharia civil pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), o secretário, que tem 39 anos, diz que tudo na sua vida foi motivo de conquista. Fui empacotador de supermercado e trabalhei para pagar meus estudos universitários, conta.
Especialista em estruturas, o engenheiro trabalhou em São José do Rio Preto. Em 1990, retornou a Bauru e comandou a reforma do Hospital de Base (HB) e da Maternidade Santa Isabel. Embora não se considere um político, é filiado ao PPS, partido do prefeito Nilson Costa. Sua ficha foi abonada pelo ex-ministro da Economia e pré-candidato à presidência da República, Ciro Gomes, e pelo deputado federal João Herrmann.
Logo após as eleições municipais de outubro passado, Donizeti foi alvo de acusações, entre as quais a de que teria se avistado com os candidatos a prefeito Tuga Angerami (PSB) e Pedro Tobias (PDT). Foi acusado de traição, mas sobreviveu ao desgaste e sempre negou que manteve encontros com os candidatos. Sobre esse assunto, ele é enfático. Isso faz parte do passado. É assunto encerrado, finalizou.