É com pesar que vejo as mazelas brasileiras com relação aos símbolos nacionais e todas as demais formas que identificam um povo, pois povo sem raízes e sem símbolos certamente não pode ser considerado como Nação.
O que soa mais estridente é o pernicioso hábito de irrigar nosso idioma com aforismos americanizados, como se isso fosse ostentar cultura. Por exemplo: antes mesmo de descobrir-se que domicílio é substantivo masculino (e, portanto, jamais poderia ser precedido de a craseado), empresas de entrega já substituíram a pintura de suas frotas com o termo delivery; full-time é rotineiramente usado para referir-se a tempo integral; show-room não pode ser substituído por sala de mostras; know-how tem que expressar o conhecimento, enfim, são incontáveis expressões que substituem títulos em Português.
Logo o Português, uma das línguas mais ricas em vocábulos do planeta, que pode expressar todo e qualquer sentido que se queira dar à vasta capacidade humana da comunicação. Além disso, quando não é essa substituição, são os estabelecimentos comerciais que têm, em suas razões sociais, nomes americanizados sob o pretexto de parecer chique. É muita hipocrisia.
Outro problema é que essa invasão estrangeira é justamente imitada por um povo inculto, que mal sabe escrever e dominar sua própria língua. No mais autêntico estilo Caco Antibiano (do Sai de Baixo), lembro-me de um programa em que ele dizia ...pobre gosta de colocar nomes como Washington, Loreslaine, Winterson, Daiene, Daivison.... Por fria e nua que seja a verdade, realmente, repetir frases e palavras sem lhes entender a grafia ou sentido é coisa de povinho pobre, medíocre, sem amor às suas raízes, ao seu idioma, à sua Pátria.
A realidade é que o brasileiro está descrente em si próprio, sem identidade ou orgulho pelo potencial nacional. Por essa ótica, por que não colocarmos algumas faixas azuis e vermelhas sobre nossa Bandeira também? Ora, afinal, estamos globalizando, né? Não, isso não é globalização. Esta define-se pela supressão das fronteiras comerciais e flexibilidade nas regras de mercado e economia mundiais, mas nunca, nunca poderia significar perda de identidade. Cada nação continua a falar sua língua, ainda que seja dominada pelo FMI e dependa do capital estrangeiro, menos o Brasil.
É lamentável, mas com um povo e um governo condescendentes como o nosso, parece que nada resta a fazer senão esperar que a voracidade dos países mais sábios (e ricos) do planeta inoculem seu veneno, substituindo-nos a língua, a moeda e os conceitos. Só faltará a invasão territorial, mas, até lá, já estaremos tão indolentes que entregaremos sem luta. (Ivan Garcia Goffi - OAB/SP 165.173)