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Apesar do CNT, acidentes crescem

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 5 min

Em vigor desde 1998, o atual Código Nacional de Trânsito não diminuiu os acidentes nas rodovias de Bauru e região

Na última terça-feira, dia 23, o Código Nacional de Trânsito completou três anos de existência, mas ainda não foi tempo suficiente para apresentar os resultados que todos esperavam. De acordo com relatório divulgado semana passada pelo 2º Batalhão de Polícia Rodoviária, com sede em Bauru, as estatísticas apresentaram uma pequena melhora apenas no primeiro ano em que passou a vigorar o novo código. Após esse primeiro momento, os números voltaram a subir e, em alguns casos, até mesmo superaram anos anteriores à implantação da nova legislação. É o caso do número de atropelamentos. Segundo dados oficiais, ano passado foram registrados 1.044 atropelamentos. Um verdadeiro recorde em comparação aos números apresentados nos últimos oito anos.

Embora o número de acidentes e de vítimas, nas estradas da região, tenham apresentado um ligeiro acréscimo desde 98, as estatísticas não chegam a se igualar às registradas em 97, ano anterior à implantação do novo código e quando chegou-se ao pico tanto em número de acidentes quanto ao de vítimas - sejam leves, graves ou fatais.

Para o tenente da Polícia Rodoviária, em Bauru, Dário Birochi Veiga, o relatório apresenta uma série de coisas interessantes para serem analisadas. De acordo com ele, a redução no número de acidentes e de vítimas em 98 pode ter uma explicação psicológica. Naquele ano, foi feita uma intensa campanha em torno da legislação que estava entrando em vigor, disse. Essa campanha, apesar de não ter sido tão ampla como esperávamos, causou um certo amedrontamento na população. E isso acabou gerando um efeito psicológico que resultou em um maior cuidado nas estradas.

Porém, para tentar explicar o repique que houve nos anos seguintes, o tenente apresenta duas hipóteses. A primeira, segundo ele, seria o possível descrédito da população em relação à fiscalização policial. Veiga acha que os motoristas perceberam que, apesar de uma legislação mais rigorosa, a estrutura montada para fiscalizar as infrações não sofreu alteração. Ou seja, a capacidade de ação policial e o número de efetivo nas estradas continuaram os mesmos de antes da entrada em vigor do novo código.

A segunda hipótese para tentar explicar o aumento no número de acidentes de trânsito depois de 98, na opinião do tenente Veiga, foi o crescimento da frota de veículos nas estradas de Bauru e região. Para o tenente, esse é outro detalhe que precisa ser levado em consideração. Não podemos esquecer que houve um reaquecimento da economia brasileira, teorizou. Em decorrência disso, Veiga acredita num aumento no número de veículos em circulação e isso teria gerado alguns efeitos os quais foram apresentados no relatório divulgado pelo 2º Batalhão.

Analisando do ponto de vista proporcional, o número de acidentes acaba sendo menor, conclui o tenente da Polícia Rodoviária. Seguindo seu raciocínio, o suposto aumento que teria ocorrido na frota de veículos foi maior do que o número de acidentes, proporcionalmente. Porém, isso não nos satisfaz, afirmou Veiga. Segundo ele, o ideal é reduzir esse número não apenas proporcionalmente, mas também em termos numéricos.

Longe de parecer uma utopia, Veiga acredita que a solução para esse problema de equação está muito próxima. A educação, na opinião do tenente, é a viga-mestra para mudar essa realidade. Assim sendo, Veiga mostra-se animado e esperançoso com o que tem visto e ouvido ultimamente. Segundo ele, a realização de campanhas educativas dentro das escolas é motivo de esperança por dias melhores.

Segundo admitiu o próprio tenente, todo processo de mudança é lento e demanda uma certa dose de paciência. Para alcançar os resultados esperados na luta pela diminuição do número de acidentes de trânsito, Veiga entende que antes é preciso quebrar alguns paradigmas. E um deles é educar corretamente aquele filho que está acostumado a ver o pai burlando a legislação de trânsito, disse.

Para corrigir essa distorção que há entre o que a criança geralmente aprende na escola, durante as palestras sobre segurança no trânsito, e o que ela aprende com os pais, enquanto é levada à escola ou a passeios, leva-se um certo tempo. De acordo com o artigo 76 do Código Nacional de Trânsito, a educação para o trânsito deve ser promovida na pré-escola e nas escolas de 1º, 2º e 3º graus, por meio de planejamento e ações coordenadas entre os órgãos e entidades do Sistema Nacional de Trânsito e de Educação, da União, dos Estados e dos Municípios.

Nós temos, entre os policiais rodoviários, um ditado que diz que a infração de trânsito é o primeiro passo para o acidente, comentou o tenente. Por isso, a educação seria a chave para mudar as estatísticas e torná-las mais agradáveis de se ler. No entanto, o tenente Veiga acredita que a qualidade dos novos motoristas já apresenta uma melhora em comparação às gerações anteriores. Na opinião dele, hoje os motoristas saem com uma formação mais abrangente e cuidadosa.

Enfim, mais preparados e preocupados com o respeito à legislação e, conseqüentemente, à vida. Esta última, de acordo com o tenente, seria a preocupação primordial, não só do código atual, mas de todos os outros. A legislação de trânsito existe não para multar ou para tirar o direito de dirigir do cidadão, mas para evitar que ele morra, disse Veiga.

Mesmo diante de estatísticas nada animadoras, o tenente acredita que o rumo que foi tomado com a reforma do Código Nacional de Trânsito é o correto. As campanhas educativas veiculadas atualmente, as quais privilegiam a educação dos motoristas em detrimento da propaganda em cima de possíveis multas, também é encarada como as mais indicadas. Creio que estamos no caminho certo para, em breve, passar o título de campeão mundial de acidente de trânsito para outro país, finalizou o tenente Veiga.

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