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Tecnologia em favor do samba

Ricardo Polettini
| Tempo de leitura: 3 min

Novos softwares ajudam escolas de Bauru a obterem maior qualidade de gravação de seus sambas-enredo; programas auxiliam desde a captação de som até a mixagem e masterização de Ds

Cool Edit Pro, Sound Forge, T-Rex... Essas palavras provavelmente nunca vão estar nas letras de sambas-enredo, mas, se não fossem esses nomes, provavelmente os sambas das escolas de Bauru só seriam ouvidos pelo público na avenida, nos dias de desfile.

Tratam-se de softwares (programas de computador) especializados em edição de som e que estão sendo usados nas gravações dos sambas das escolas da cidade. Dessas gravações sairão os CDs que as escolas utilizarão para divulgar seus sambas em Bauru.

O compositor Léo do Rasi - que também é o intérprete da Coroa Imperial -, participou, na tarde de ontem, de uma sessão de gravação no estúdio Liguesom. Ele elogiou o novo sistema de gravação digital. As gravações em fitas cassetes eram muito ruins. Com as músicas gravadas em CDs e os novos recursos de estúdio, a divulgação das escolas ganha muito em qualidade, disse.

O compositor e intérprete Menezes, da Acadêmicos do Cartola, afirma que, com os novos programas, as gravações das escolas de samba de Bauru não ficarão atrás das grandes agremiações das capitais. O resultado final é muito bom e não perde para os grandes estúdios do Rio de Janeiro, por exemplo. Além de ser muito mais barato, compara.

Samba de um homem só

A tecnologia dos computadores facilita, inclusive, na hora de colher o material sonoro em estúdio. No sistema analógico, a bateria de uma escola, por exemplo, normalmente era gravada por completo, com a participação de vários músicos. O take serviria de guia para os cantores e demais instrumentistas gravarem por cima.

Hoje, o sistema digital possibilita que apenas uma pessoa grave todos os instrumentos. Como foi no caso do samba da Águia de Ouro. O músico Jeferson, que desfilará tocando cavaquinho na escola, gravou sozinho todos os instrumentos da bateria.

Isso seria impossível no sistema analógico, porque teríamos que sobrepor várias pistas de gravação, prejudicando a qualidade final. Com os softwares, posso trabalhar instrumento por instrumento isoladamente, sem comprometer o resultado final, explica o engenheiro de som e produtor Kauê Moraes, 23 anos.

Moraes conta que, no caso da Águia de Ouro, o músico gravou primeiro a linha de surdo, que serviu como marcação. A partir daí, foram abertas várias pistas de gravação, nas quais foram dispostas os demais instrumentos.

Esse primeiro passo é feito com o auxílio do software chamado Cool Edit Pro, próprio para PCs (personal computer). Em seguida, com o material sonoro já colhido, ocorre o tratamento das ondas.

Nessa fase, são acertados equalização, timbres e efeitos, como profundidade e reverberação. Para isso, o produtor recorre a outro programa, o Sound Forge.

Depois de acertar todos os instrumentos e colocá-los em stereo (novamente com o auxílio do Cool Edit Pro), vem o processo de masterização.

A masterização prepara e finaliza o arquivo digital, deixando-o pronto para a gravação do CD. Nesse processo, é utilizado o software T-Rex.

Até agora, o estúdio Liguesom gravou por completo os sambas da Águia de Ouro, Coroa Imperial, do bloco Flor de Laranjeira e o promocional da rádio Auriverde para o Carnaval 2001. Também masterizou e finalizou o samba da Cartola, que já veio gravado do Rio de Janeiro.

A idéia é lançar, assim como no ano passado, um CD para a Liga das Escolas de Samba e Entidades Carnavalescas (Lesec), com todos os sambas das escolas e blocos de Bauru.

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