Há cinco dias levei minha nora ao Pronto-Socorro do Centro, porque ela reclamava de uma dor muito forte nas costas, do lado esquerdo. Passava das 17 horas e ela chorava de dor. Depois de passar por uma enfermeira, mandaram que ela se sentasse em um banco e aguardasse. Nesse dia, o pronto-socorro estava cheio e muitas pessoas vinham dos prontos-socorros da Vila Ipiranga e Bela Vista, pois lá não havia médicos.
Minha nora começou a gemer de dor e, como o atendimento estava demorado, eu quis falar com algum responsável. Pediram que eu fosse a um prédio atrás do pronto-socorro, onde existe uma porta de vidro. Fui atendida por uma moça que avisou que todas as diretoras já haviam ido embora. Então perguntei quem ficava no lugar delas e a moça respondeu que não fica ninguém. Diante dessa resposta, fiquei desesperada e comecei a me alterar; ao me verem naquele estado, alguns funcionários me orientaram a procurar a secretária da Saúde, dra. Eliane, na rua José Aielo, n. 3-30, duas quadras abaixo do pronto-socorro, em direção à Vila Falcão.
Quando cheguei na Secretaria, para meu desespero, vi que estava fechada. Comecei a chorar ali mesmo e uma senhora que estava passando me perguntou o porquê do choro, expliquei-lhe tudo e foi aí que ela respondeu, olhando para o seu relógio: Moro aqui perto e posso afirmar com toda certeza que às 17 horas todos vão embora, inclusive a secretária. Às 16 horas, o pessoal começa a debandar.
Voltei correndo ao pronto-socorro e, como minha nora ainda não havia sido atendida, levei-a embora e fomos procurar o Prontocor, onde tive que desembolsar R$ 100, mesmo sem poder. Ela foi atendida, medicada e ficou em observação. O Pronto-Socorro Central merecia que eu fizesse um boletim de ocorrência, mas sei que nada adiantaria porque todos ficarão impunes. Minha carta é apenas um desabafo e um questionamento para a dra. Eliane: a senhora não demitiu a diretoria antiga, prometendo uma revolução e melhorias, conforme divulgou no jornal? Será que a senhora poderia explicar como é que um pronto-socorro que funciona 24 horas tem uma diretoria que fica lá algumas horas do dia, depois vai embora e deixa tudo ao Deus dará?
A senhora poderia explicar como é que uma Secretaria tão importante e tão necessária como a da Saúde pode fechar às 17 horas? Onde estão os 24 médicos e outros tantos funcionários que a senhora prometeu contratar, conforme disse na imprensa? Por que as ambulâncias estão tão sucateadas e em número reduzido para atender uma população de mais de 300 mil habitantes? Para mim e para muitas pessoas com as quais converso, a saúde municipal continua ineficiente, sucateada, falida e prestando cada vez mais um desserviço aos cidadãos de Bauru. (Maria Ermelinda Passos Cabreira - RG: 10.122.910)