Nem todos os motoristas do Sistema de Transporte Coletivo de Bauru aderiram à operação tartaruga, anunciada na última segunda-feira. A operação seria uma iniciativa dos próprios motoristas para, não somente evitar as multas recebidas por excesso de velocidade, mas também organizar uma manifestação contra a proposta da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) de oferecê-los um curso de direção defensiva, que seria ministrado pela Polícia Militar.
A questão gera divergência também entre os usuários, já que, em decorrência da adesão de alguns motoristas ao movimento, alguns ônibus estariam sendo conduzidos a velocidades bastante baixas.
De acordo com a assessoria de comunicação da Emdurb, o curso tem como objetivo mudar o comportamento dos motoristas e conscientizá-los sobre os conflitos gerados no trânsito. Além disso, a assessoria informa que a medida mostra uma preocupação da empresa com os usuários do transporte, com os funcionários das empresas operadoras e com a população em geral.
A equipe de reportagem do Jornal da Cidade, sem identificar-se, acompanhou um ônibus da linha Parque das Camélias/ Vila Falcão - ITE, que partiu às 15h34 do ponto inicial e chegou às 16 horas ao seu destino. Nesse período de tempo, o ônibus, que pertence à operadora Cidade Sem Limites, percorreu oito quilômetros e atingiu, como pico de velocidade, 38 quilômetros por hora, não ultrapassando, em nenhum momento, as velocidades máximas permitidas nas ruas e avenidas, nem aparentando lentidão excessiva ou proposital. Em trecho da avenida Duque de Caxias, por exemplo, a velocidade máxima atingida pelo ônibus foi de 35 quilômetros por hora.
Terminado o percurso, a equipe do JC apresentou-se ao motorista, José de Souza, para ouvir a opinião dele quanto à operação tartaruga. Ele alegou que não aderiu ao movimento por acreditar que todo funcionário de uma empresa deve limitar-se a cumprir as normas por ela estabelecida. Se eles falarem para eu andar a 10 quilômetros por hora, eu vou andar. Principalmente no Centro, onde temos que respeitar mesmo. Em alguns lugares, daria para deslanchar mais um pouquinho; 40 por hora acaba sendo pouco para algumas ruas. Mas o chefe da Sem Limites pediu para não passar disso, justificou.
Souza confessou, ainda, que antes das medidas tomadas pela empresa, ele costumava conduzir o veículo a velocidades mais altas. Além disso, disse que, em horários em que o trânsito torna-se um pouco mais lento na região central da cidade, como por volta das 18 horas, há um atraso de cerca de 10 minutos no percurso total. No horário de trânsito, os usuários reclamam da demora. A gente tenta explicar que não dá mais para correr, que tem radares e multas, mas não tem jeito. Se corre, é porque corre; se atrasa, é porque atrasa, desabafa.
Alguns usuários do sistema de transporte coletivo da cidade confessaram descordar da lentidão dos motoristas, assim como das conseqüências práticas nos horários previstos para o itinerário de cada linha. Outros, não perceberam modificações no comportamento dos funcionários.
Patrícia de Cássia Leite, que costuma utilizar a linha que vai do bairro Samambaia ao Santa Edwirges, afirma que constatou, desde a última segunda-feira, que os ônibus da linha que utiliza têm atrasado cerca de 15 minutos em relação ao horário rotineiro. Eles estão andando muito devagar. Um dia desses, o pessoal que estava esperando no ponto entrou no ônibus, começou a reclamar e o motorista respondeu que quem quisesse chegar mais cedo teria que começar a pegar o ônibus do horário anterior. Ele disse que não corre para não levar multa, contou.
Já o usuário Natalino Parra disse estar com dificuldades para entender os horários da linha que toma, a Gerson França/ Vânia Maria. Às vezes, a gente fica uma hora no ponto, às vezes, até uma hora e meia! Mas eles estão atrasando mais na hora do almoço, destacou.