Geral

Consumidor sem hora nem vez

(*) N. Serra
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Mal a Organização dos Países Exportadores de Petróleo transmitiu ao mundo a decisão de reajustar, em janeiro, o preço do barril do produto, fonte da Petrobras apressou-se em anunciar que, consequentemente, seria inevitável o repasse ao consumidor do percentual do aumento que recairia sobre o óleo bruto a ser importado pelo Brasil.

Um novo susto deu, assim, o órgão governamental, ao País ainda assustado com o reajuste, em dose cavalar, diga-se sem intenções escandalizantes, efetuado pela União em novembro, não contendo, assim, seus suplícios contra a bolsa popular, açoitada desapiedadamente por uma impiedosa corrente de aumentos, que atingiram inclusive o ágio, o qual entrou por tabela na onda aumentista, acompanhando as elevações dos índices oficiais com a inquebrantável fidelidade de nubentes em plena lua de mel.

Desnecessário dizer que, embora escandalizada pelas discrepâncias de uma nação de economia incerta e não sabida e, por isso mesmo, psicologicamente preparada para suportat todo tipo de impacto, o brasileiro não contava que tão cedo voltasse a sentir na carne ou no bolso - como queira o leitor - reacertos de curta periodicidade. Mas, a realidade aí está, visível à longa distância, com essa repetição curta de reajustes, que se vão fazendo sentir amiude. Em abril próximo teremos mais um. Só Deus, finalmente, sabe dos rumos que a caminhada virá a ter. São evidências que, sabendo sem remédio, o brasileiro vai aceitando sem reação porque tem que aceitar irreversivelmente. O que ele não aceita porque, aí sim, não é obrigado a aceitar, inquestionavelmente, são os dúbios critérios do Governo, na Petrobras, quanto à fixação dos índices dos derivados de petróleo para o consumo interno. E faz uma pergunta assás pertinente: se a estatal acompanha a Opep, repassando imediatamente suas majorações ao nosso consumidor, por que não repassou também aos usuários as baixas de preços que, durante muito tempo, as nações produtoras do óleo negro andaram aplicando nos seus custos? Não entendem os nossos patrícios esses despropósitos por eles classificados de preconcebido cambalacho comercial, tanto quanto a cobrança de ágio, abertamente criticada e combatida (será que sinceramente?) por ele mesmo, o Governo nosso de cada dia... É a nossa opinião.

(*) N. Serra, Jornalista Responsável do JC e Delegado Regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.

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