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Artesãos discutem função social

Redação
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Artesãos de Bauru estiveram reunidos no último domingo, na Chácara da Gilar, para discutirem e deliberarem sobre avanços de uma organização independente, que congregará os profissionais da área na cidade e na região. Durante o Encontro Municipal de Artesãos, houve deliberações sobre questões como a recolocação da função social da atividade.

Contando com 59 inscritos e mensagens de apoio de entidades culturais e políticos da região, o Encontro teve como tônica o papel do artesão, definido como o de ser um instrumento de preservação da memória sociocultural e do saber fazer.

O artesão, cuja expressão é resultado da habilidade manual, é um cidadão que se nega a representar o papel de mero consumidor de mercadorias, não se limitando a ser apenas um objeto consumidor-consumido da indústria cultural, mas teimando em ser sujeito da cultura. Agindo sobre a matéria bruta ou semi-elaborada, ele aparece como um construtor cultural, imprimindo, em cada peça finalizada, não apenas sua marca pessoal e intransferível, mas todo um conhecimento prático acumulado e deixado pelos antepassados, explica o sociólogo Ralf Campos, coordenador do Encontro.

Valendo-se de técnicas herdadas, dedica-se ao fazer criativo e faz desse ato uma forma de sobrevivência e de expressão cultural. Não uma simples reprodução do que já foi feito, mas que, através de seu fazer. Modelando, reelaborando e modificando, ele acrescenta novos conhecimentos, novas técnicas, novos materiais, numa leitura historicamente localizada, reescrevendo a prática artesanal. Dessa forma, o artesanato e os artesãos exercem uma função pública de maior relevância social, na medida em que preservam operações de trabalho manuais e artesanais. São guardiães do nosso patrimônio cultural, completa Campos.

Caco-Pau

A primeira deliberação do Encontro foi a adesão dos artesãos ao Movimento Caco-Pau - que tem como finalidade a construção da Cooperativa de Arte e Cultura Centro-Oeste Paulista (Caco-Pau) -, e ao Projeto Mão Caipira, que tem como finalidade cultural a preservação de fragmentos da cultura caipira, expressão da sabedoria coletiva que ainda não obteve o reconhecimento social devido.

Decidiram também pela organização de uma semana de atividades, de 5 a 11 de março, para que a sociedade possa conhecer de perto suas técnicas, seu processo de produção, as discussões que vêm ocorrendo, o universo rural, além de uma programação artística para as noites, finalizando a semana com uma Feira de Arte e Cultura, no domingo, das 10 às 18 horas, que será realizada com periodicidade mensal.

O Encontro resolveu ainda encaminhar à administração municipal a proposta de assinatura de um convênio com a Superintendência do Trabalho Artesanal nas Comunidades/Sert (Sutaco), além de encaminhar propostas de modificação da Lei Municipal de Incentivos Fiscais à Cultura, para que ela possa ter utilidade social.

Para dar seqüência ao trabalho de organização, os artesãos estarão se reunindo na próxima terça-feira, dia 6, às 20 horas, no Centro Cultural (avenida Nações Unidas, 8-9).

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