Geral

Pessimismo e ceticismo

Cel. Iracy Vieira Catalano
| Tempo de leitura: 3 min

O pessimismo é a tendência das pessoas que, por índole ou reflexão, são levadas a considerar tudo como um mal e que segundo a qual no mundo tudo é mau, e a soma dos males supera amplamente a soma dos bens.

O indivíduo prosélito do pessimismo pode sem erro ser chamado de uma ave agoureira e um pusilânime que busca desculpar-se ou justificar-se com conjecturas cultivadas pela sua falta de ânimo e coragem. É igualmente uma pessoa que expõe seu medo artificialmente. Para Schiller, em seu livro Riddles of the Sphinx, o pessimismo baseia-se na frustração dos ideais de felicidade, de bondade, da beleza e do conhecimento, aos quais se pode acrescentar da cultura.

Pessimus hominum est eruditus qui non prodest eruditione sus (é o pior dos homens o sábio cujo saber nada produz) - provérbio árabe. Podemos afirmar que o pessimismo é uma dissimulação do medo, pois quer algo e não se atreve a afrontar pelo que ambiciona e engana-se e aos que o circundam, afiançando que seu conseguimento é quase impossível de ser concretizado. Verifica-se no pessimista nato muitas vezes a roupagem de um humorista sarcástico, ou ainda camuflado sob o manto da tristeza. Na verdade a pessoa triste não pode ser pessimista, pois ela nada espera nem deseja ao passo que o pessimista deseja, mas não consegue o que quer, por covardia.

A opinião popular, entretanto, não se deixa confundir facilmente, e afirma que o pessimista busca a alegria, mas falta-lhe coragem para conquistá-la; encaixando-se perfeitamente com o juízo crítico científico: o melhor remédio para o pessimista é ocupar-se com a ação e não se preocupar com o fracasso.O ceticismo e o pessimismo sempre andam juntos. Um completa o outro em termos de estado de espírito de negação. Ambos são íntimos parentes do medo.

O ceticismo é um estado de espírito de toda pessoa que recusa sua adesão a crenças geralmente admitidas, ou mais popularmente definido como a disposição de duvidar de tudo, ou a recusa em conceder crédito a uma afirmação ou mesmo a ausência do julgamento afirmativo ou negativo.

À primeira vista os céticos afirmam estar despersuadidos com tudo e por tudo, mas ao expor isto, deslembram que a vida não vale a pena ser vivida se dela desenraizarmos a fantasia (ilusão) com que todos a arquitetamos e adornamos, juntamente com um figmento de alegria, de fé e de crença. Ao produzir essa contextura de expectativas, esperanças e de fé, deixaremos de ser meros autômatos animais, para nos transformarmos em pessoas que acreditam, tornando-se, portanto, criativos. Assim é dada ao ser humano a probabilidade de viver para si e não com consternação, ansiedade, aflição, desenganos e incredulidade, construindo-se um princípio de confiança nos quais intervém, decisivamente, muito mais sua afabilidade que sua própria razão.

O cético até acredita, mas é uma crença incoerente, pois crê que não crê, estima não estimar, tem fé na falta de fé e valoriza a desvalorização. Essa maneira tão paradoxal é com facilidade explicável, se levarmos em conta que é determinada pelo medo, que constitui a consagração da anulação: para se chegar ao nada e ao não-ser.

Com tudo isso o cético absoluto e verdadeiro, se for coeso consigo próprio, deve se mostrar suficientemente cético ante ele e defina permanecer vivendo para derramar por toda parte seu excesso de medo, adornado com enfeites da filosofia catatímica (em tal caso é um cínico).

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