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Seca afeta plantações de grãos, cana e laranja em Ribeirão

Redação
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Ribeirão Preto - Um índice pluviométrico reduzido a um terço da média histórica registrada no mês de janeiro na região de Ribeirão Preto pode comprometer as próximas safras de cana-de-açúcar e laranja e ainda afetar a produtividade da safra das águas de soja e milho, cuja colheita deve começar na próxima semana. O alerta vem de produtores e agrônomos da região, que ainda não avaliaram o tamanho da queda.

"Ainda não existem condições de serem dimensionados os estragos porque há chuvas em áreas isoladas e, portanto, em algumas poucas propriedades acaba até mesmo sobrando água, enquanto em outras, na maioria, a situação é uma das mais graves vistas nos últimos 30 anos", disse o diretor do setor sucroalcooleiro da Estação Experimental do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), em Ribeirão Preto, Marcos Landell.

Segundo ele, as áreas de canaviais foram atingidas fortemente porque em janeiro ocorre o período de desenvolvimento maior da planta, quando todos os fatores (luminosidade, água e calor) se unem para impulsionar o seu crescimento. "Com um desses fatores em falta, o canavial sofre uma espécie de estresse hídrico, comprometendo toda a produção da safra, que começa a ser colhida em abril", disse. Segundo ele, a situação já é irreversível. "Mesmo que chova o dobro da média em fevereiro, os canaviais estão prejudicados", disse.

Segundo dados do IAC, foram registrados na base da Estação Experimental em Ribeirão Preto índices de preciptação pluviométrica de 86 mílimetros em janeiro, contra uma média histórica variando entre 250 e 300 milímetros no mesmo mês. Segundo dados da Companhia Energética Santa Elisa, de Sertãozinho, choveu em janeiro um total de 101 milímetros, ante 461,8 em janeiro de 2000 e 473,2 em janeiro de 99. Somente nos anos de 1971 e 1956, segundo dados da Santa Elisa, choveu menos na região. O acompanhamento do índice pluviométrico, que é feito pela usina desde 1948, indica que em janeiro de 1956 foram registrados 81,6 milímetros, e em janeiro de 1971, 50,8 milímetros.

A colheita de grãos na região de Guaíra e Barretos, uma das maiores produtoras de soja e milho no Nordeste do Estado de São Paulo, pode ser antecipada este ano em razão da falta de chuvas na região, informaram agrônomos locais. Segundo eles, a média pluviométrica na região em janeiro não passou de 100 milímetros e a cultura da soja foi a mais afetada. "As plantas estão murchas", comentou o agrônomo da Cooperativa Agrícola de Orlândia, José Pazetto. Segundo ele, os pontos mais críticos atingidos pela seca estão na margem esquerda da Rodovia Anhanguera.

Do outro lado, cidades que estão mais próximas da divisa com Minas Gerais, como Ituverava, Nuporanga e São Joaquim da Barra foram menos afetadas por estarem em altitudes mais elevadas. O Escritório de Desenvolvimento Rural de Orlândia está preparando para até o final desta semana um relatório completo sobre os efeitos da estiagem para as culturas de soja e milho, mas segundo um dos pesquisadores, "será difícil diagnóstico único para toda a região".

"Passamos por propriedades em que pelo menos 30% da área plantada já está perdida. Em algumas outras, as plantas nem chegaram a crescer, mas existem áreas de soja em que a planta não só cresceu muito bem como terá produtividade acima do esperado. Essas áreas compõem a menor parte, mas não podem ser ignoradas e vão acabar elevando a média de produção na região", disse. A colheita de grãos na Alta Mogiana deve começar na próxima semana.

Em menores proporções, a estiagem de janeiro acabou sendo mais uma agravante do que propriamente a causa fundamental da quebra que deverá ser registrada, segundo agrônomos, nos pomares de laranja no interior de São Paulo na safra que tem início a partir de maio.

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