Marília - Começou a vigorar, novamente anteontem novo prazo de defesa da piracema no Rio Paraná que havia sido suspenso no dia 29. Fica proibida a pesca amadora e profissional até o dia 6 de março ao longo do Rio. A portaria, n.º 07 do Ministério do Meio Ambiente, publicada no "Diário Oficial da União", do último dia 2, foi baixada depois que técnicos do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), comprovaram que a maioria dos peixes daquele rio, permanece em processo de evolução para a desova e a liberação da pesca poderia pôr em risco a reprodução das espécies.
Segundo o gerente do Ibama, em Presidente Epitácio, José Eduardo Albernaz, o período de piracema que historicamente é observado no Rio Paraná até fins de janeiro, este ano sofreu a influência do atraso do período das chuvas que retardou a fase de postura das ovas. Técnicos do Centro Técnico de Pesquisa de Aquicultura, do órgão, em Pirassununga coletaram amostras de peixes comprovando que espécies como o pacu, pintado, dourado, piapara, piracanjuba e curimbatá ainda não desovaram, formalizando sugestão para a prorrogação do prazo de defesa da piracema.
Reservatório
A piracema no Rio Paraná acontece simultaneamente com a decisão da Companhia Energética de São Paulo (Cesp) de promover o enchimento do reservatório da Usina Hidrelétrica Sérgio Motta, localizada em Porto Primavera, entre as cotas 253 e 257 metros acima do nível do mar. De acordo com o gerente do Ibama, a Cesp comprometeu-se a fazer o acompanhamento das espécies de piracema e realizar o processo de enchimento elevando e baixando o nível do reservatório de forma a imitar as correntezas naturais do Rio Paraná. A empresa comprometeu-se ainda a fazer o acompanhamento da área alagada para observar o estágio de evolução dos peixes em fase de desova.
Segundo Albernaz, com o fim da proibição da pesca no dia 29 de janeiro, muitos pescadores foram para o rio e ainda permanecem acampados em locais sujeitos à inundação. Ele disse que utilizando barcos e helicóptero, a Cesp já iniciou o trabalho de alerta para evitar que eles sejam surpreendidos pelo aumento no nível das águas, o que poderá deixá-los ilhados, sem possibilidade de saída.