Servidores municipais de Botucatu ainda não receberam o salário de dezembro e o 13º. Solução está indefinida
Botucatu - O presidente do Sindicato dos Funcionários Públicos Municipais de Botucatu, José Manoel Leme, protocolou ontem, na Prefeitura da cidade, um ofício solicitando do prefeito Antônio Mário Ielo (PT) uma definição quanto as possíveis datas para que os servidores municipais recebam os salários que ficaram pendentes, após a saída do prefeito Pedro Losi Neto (PSDB).
Segundo Leme, cerca de 1,4 mil servidores ainda não receberam os salários de dezembro e nem o 13º. Por esse motivo, a categoria decidiu, em assembléia realizada há duas semanas, pressionar o prefeito Ielo para que o mesmo definisse, o mais rápido possível, quando será feito o pagamento desses salários. Leme disse ainda que procurou Ielo e entregou-lhe uma proposta com algumas data pré-definidas. No entanto, ele não obteve resposta do prefeito.
Essa indefinição acabou gerando um descontentamento dentro do Sindicato, que decidiu protocolar um ofício destinado ao prefeito tratando novamente da questão. Segundo Leme, todo documento protocolado tem dez dias para ser respondido. Essa foi a saída encontrada por ele para tentar resolver o impasse, uma vez que os servidores estariam cobrando do Sindicato uma definição para o problema. Leme, que assumiu a presidência do Sindicato em julho passado, disse entender que a situação financeira da Prefeitura não é das melhores, mas o problema precisa ser solucionado, pois os servidores também teriam dívidas para serem pagas. Antes do prefeito assumir, ele já sabia que herdaria dívidas. Mesmo assim, comprometeu-se a resolver os problemas da Prefeitura, afirmou Leme.
Somente depois que o prefeito se pronunciar a respeito do assunto é que o Sindicato irá decidir qual será a próxima atitude a ser tomada. Vamos aguardar a resposta do prefeito. Em seguida, e se for o caso, reuniremos novamente a categoria para definir os próximos passos, adiantou Leme.
Resposta impossível
É impossível estabelecer uma data para pagar os salários atrasados dos servidores municipais. Com essa afirmativa, feita ontem pelo chefe de Gabinete da Prefeitura, Osmar de Carvalho Bueno, dá para adiantar que a solução para tal problema não será tão simples, quanto protocolar um ofício.
O pagamento dos salários de dezembro e o 13º dos servidores está condicionado, segundo Bueno, ao desbloqueio dos recursos do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). De acordo com o chefe de gabinete, a cota que cabe ao município de Botucatu foi retida pelo Governo em razão de depósitos não realizados pela administração anterior. Bueno informou que a Prefeitura deixou de fazer os depósitos ao Pasep desde 1998. Estamos negociando diariamente o desbloqueio desse recurso, que só foi feito por causa de uma administração inconseqüente, provocou Bueno, referindo-se à gestão do ex-prefeito Losi Neto.
Mesmo que o dinheiro retido seja liberado pelo Governo, Bueno garantiu que haverá a necessidade de uma complementação de aproximadamente R$ 1 mil para saldar toda a dívida com o funcionalismo. Ele disse que a Prefeitura compreende a situação crítica em que se encontra seus servidores. E para tentar convencê-los disso, o pagamento de janeiro, que era para ter sido feito até o quinto dia útil deste mês, foi adiantado para o dia 19. Segundo Bueno, essa foi uma maneira encontrada pela Prefeitura de Botucatu para amenizar os efeitos negativos gerados pela falta dos dois pagamentos de dezembro.
Enquanto Prefeitura, Sindicato e Governo não se entendem, os servidores municipais de Botucatu continuam esperando pelos salários que lhes foram negados no fim do ano. É uma novela cujo final feliz ainda não consta do roteiro.