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Haroldo Prado Ferreira, 58 anos, tido como morto e enterrado na última terça-feira, reapareceu, causando espanto e alegria em seus familiares.

Josefa Cunha
| Tempo de leitura: 3 min

Legalmente, Haroldo Prado Ferreira está morto e enterrado no Cemitério do Redentor, mas ele continua andando pelas ruas

A base Centro da Polícia Militar de Bauru registrou uma história sui generis e emocionante na tarde de ontem. Um homem tido como morto, cujo enterro ocorrera nesta última terça-feira, foi reencontrado pela família, após ser reconhecido na rua por uma vizinha. Passadas a dor e a feliz surpresa, a família terá agora que enfrentar uma série de procedimentos legais para provar que o parente está vivo.

O mal-entendido começou na segunda-feira, quando a mulher e os filhos de Haroldo Prado Ferreira, 58 anos, leram uma notícia sobre o encontro de um cadáver na Vila São Manoel. A descrição publicada - de um homem branco, cabelos grisalhos e encaracolados, aparentando 50 anos -, levou todos a crer que se tratava do chefe da família, que sofre de algumas perturbações e costuma perambular pelas ruas como mendigo.

Na segunda-feira, a mulher de Ferreira e outros dois filhos foram até o Instituto Médico Legal (IML) para fazer o reconhecimento do corpo. O homem morto que encontraram estava com a face desfigurada, mas suas demais características físicas não suscitaram dúvidas. Um dos dedos indicadores marcados por um antigo acidente teria sido peculiar para confirmar o reconhecimento. Isso feito, o corpo foi liberado e enterrado na manhã do dia seguinte, no Cemitério do Redentor.

O luto da família poderia ter durado mais tempo não fosse uma vizinha da família, que mora no núcleo Mary Dota, ter visto Ferreira andando normalmente pelo centro comercial da cidade. Levei um susto enorme e mal acreditei no que vi. Na hora pensei: ou ele ressuscitou ou enterraram o homem errado, contou Cristiane Lourenzão Álvarez. Horas depois, ela comunicou a visão à esposa do então falecido, que não depositou muita fé na história.

Ontem, porém, Cristiane voltou a identificar o vizinho quando andava pelo Calçadão da Batista de Carvalho e não teve dúvidas em informar o fato à polícia. Ferreira foi levado à base Centro da PM, onde permaneceu aguardando o patrulhamento localizar algum membro de sua família. Foi a filha mais nova, Ana Maria Prado Ferreira, que teve a feliz emoção de reencontrar o pai novamente, e vivo.

Logo que deixou a viatura policial, Ana Maria já sorriu em direção a Ferreira para um abraço demorado e emocionado. É ele, é ele mesmo, repetiu várias vezes. Eu tinha uma esperança, no fundo, de que ele não tinha morrido. Acho que eu sentia isso porque não fui no IML fazer o reconhecimento. Quando a Cristina (a vizinha) falou que tinha visto ele (sic), eu logo tive a certeza, confessou, agarrada ao pai e jurando que não permitirá mais que ele continue perambulando pelas ruas como um indigente.

Superada a inusitada situação, a família agora terá de provar que Ferreira está vivo. A Certidão de Óbito que permitiu o enterro do corpo, agora não mais identificado, está em nome de Haroldo Prado Ferreira e só a Justiça poderá resolver o mal-entendido. O caso foi encaminhado ao 3.º Distrito Policial, cuja autoridade deverá solicitar à Justiça permissão para exumar o cadáver enterrado.

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