Faltam menos de 20 dias para o Carnaval e as escolas de samba afinam os últimos preparativos para o desfile no Sambódromo. No entanto, os ensaios das agremiações nem sempre são sinal de alegria e descontração para a comunidade. Moradores do Parque Flamboyant estão incomodados com o ruído proveniente de uma quadra localizada nas imediações do Sambódromo.
Ontem, dois moradores do condomínio estiveram no 4.º Distrito Policial (DP) para lavrar boletim de ocorrência contra o som alto emitido durante a reunião dos sambistas. De acordo com a advogada Maria Estela Raz de Andrade, uma das pessoas que compareceram à Delegacia, o problema é o horário do ensaio. Eles começam às 21h30 e só param depois da meia noite. Não conseguimos ficar em casa com tanto barulho, ressaltou.
Segundo ela, para a maioria dos moradores do condomínio já é difícil agüentar o barulho nos quatro dias de Carnaval, mas não há como reclamar, pois trata-se de uma festa popular. Muita gente fica incomodada - ou porque não gosta de Carnaval ou porque não suporta o som muito alto durante a madrugada toda. Essas pessoas sempre arrumam uma alternativa, viajando ou indo para casas de parentes. No entanto, nesses dias que antecedem a data, não tem como ficar se deslocando dessa maneira, salientou.
Ela explicou que o ensaio sempre foi realizado no local, desta vez, estaria com um volume muito mais alto. Acho que agora eles instalaram umas caixas de som e fica insuportável. Para piorar, no intervalo, enquanto eles descansam, colocam um CD para tocar e o barulho não pára, reclamou.
Ela disse que os moradores também estão assustados com a possibilidade do aumento do volume no Carnaval deste ano, já que foi anunciado um sistema de som mais potente (a notícia foi capa da edição de ontem do caderno JC Cultura).
Maria Estela, acompanhada de um vizinho, compareceu, ontem à tarde, ao 4.º Distrito Policial (DP) para lavrar um boletim de ocorrência contra o barulho excessivo provocado pelo ensaio da escola de samba, mas não obteve êxito. O delegado disse que não poderia fazer o registro por se tratar de um problema que atinge a coletividade. No caso, ele precisaria ter um abaixo-assinado dos moradores para lavrar o auto.
A fisioterapeuta Iraci Paiano Silveira, membro da Associação de Moradores do Flamboyant e esposa do síndico do residencial, Odyman José Toledo Silveira, já está providenciando o documento. De acordo com ela, a preocupação não é só com relação aos ensaios da escola de samba, mas também a futuros eventos que possam ocorrer no Sambódromo. Com a possibilidade da terceirização do Sambódromo para outras festas e eventos, tememos por nossa tranqüilidade. O barulho atrapalha e incomoda os moradores, que sempre nos procuram para reclamar, salientou.
De acordo com Tânia Kamimura Maceri, que está respondendo pela Secretaria Municipal do Planejamento (Seplan) durante as férias da titular Maria Helena Rigitano, até ontem não havia sido registrada nenhuma reclamação junto ao órgão com relação ao ruído e ao horário do ensaio. No entanto, fiscais da Secretaria iriam fazer uma fiscalização no local para averiguar o problema.