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Um gol, entre muitos outros carros, foi arrastado pelo "rio" em que se transformou a Nações Unidas.

(*) Rose Araujo
| Tempo de leitura: 6 min

Cerca de 40 minutos de chuva e vento fortes foram suficientes para transformar Bauru num verdadeiro caos, ontem à noite, por volta das 20h30. Carros carregados pelas enxurradas, casas alagadas e famílias ilhadas: este era o cenário que podia ser visto em várias regiões da cidade. Uma pessoa morreu, provavelmente vítima de afogamento, e uma mulher estava desaparecida até o início da madrugada de hoje.

O trânsito ficou totalmente congestionado e a energia elétrica acabou em vários pontos. Os pacientes do Pronto-Socorro (PS) da Vila Ipiranga tiveram que ser transferidos às pressas para o PS Central, pois o local foi invadido pelas águas.

Nem Defesa Civil nem Corpo de Bombeiros conseguiram ter acesso aos pontos mais críticos da cidade. Segundo o coordenador da Defesa, Álvaro de Brito, há oito anos Bauru não era atingida por uma tempestade como a de ontem. A cidade foi destruída pela chuva. Acredito que será necessário a Prefeitura decretar Estado de Emergência, salientou, lembrando que foi avisado sobre a possibilidade da chuva forte durante a tarde.

Uma das regiões mais atingidas foi a avenida Alfredo Maia, onde vários carros foram arrastados pela correnteza do córrego Água do Sobrado. Ao que tudo indica, a vítima fatal, um homem branco, de cabelos lisos e aparentando 30 anos, foi arrastada desse ponto até o cruzamento da avenida Nuno de Assis com a rua Inconfidência, local onde foi localizada ainda com vida pela Polícia Militar. Os policiais o encontraram nu, com arritmia, e tentaram reanimá-lo, mas o falecimento ocorreu antes de sua chegada ao Pronto-Socorro. Por ter sido encontrada sem roupas e documentos, a vítima não foi identificada.

A família de Lucas Correia da Silva viveu momentos de pânico ao ser levada para dentro do córrego quando tentava sair de carro do local .

Já o auxiliar de laboratório Evander Aparecido Vilar teve mais sorte e conseguiu descer do seu veículo antes que este fosse levado pelas águas. Foi muito rápido. A enxurrada veio e eu larguei o carro. Achei melhor salvar minha vida, disse, muito nervoso.

O auxiliar de caminhoneiro Edvaldo Costa, que estava dentro do veículo com o qual trabalha estacionado num posto de combustíveis localizado na Alfredo Maia, disse que viu uma pessoa de moto sendo levada para o córrego, mas o fato não foi confirmado pelo Corpo de Bombeiros. Foi horrível. As pessoas estavam pedindo ajuda e nós não podíamos descer do carro para fazer nada, destacou.

A área ficou isolada por causa da enchente e do trânsito, àquela altura totalmente congestionado, e os carros do Corpo de Bombeiros tiveram dificuldade para ter acesso ao local. Lama e entulho ficaram espalhados quando as águas começaram a baixar.

A avenida Nações Unidas, um dos pontos críticos tradicionais de Bauru em dias de chuva, transformou-se num rio. Dois carros foram arrastados por cerca de 50 metros pelas fortes enxurradas e os motoristas tentavam se salvar agarrando-se às placas de trânsito. Nós estávamos na barraca de lanches quando a enchente começou. Tentamos segurar os carros, mas acabamos sendo carregados, disse o agente de viagens Marcelo Clementino, logo após o susto.

(*) Colaborou Josefa Cunha

Mulher é levada pela enxurrada

A família de Lucas Correia da Silva viveu momentos de pânico durante a chuva que caiu na noite de ontem em Bauru. Ele, a esposa e a filha foram dragados para dentro do córrego Água do Sobrado pela enxurrada que se formou na avenida Alfredo Maia . Silva e a menina, Ana Beatriz de Holanda Mollo, 11 anos, conseguiram se salvar. Até o fechamento desta edição, sua esposa, Maria Anita Ribeiro da Silva, não havia sido localizada pelo Corpo de Bombeiros.

A família estava na igreja localizada na avenida Alfredo Maia quando a chuva começou. Temendo uma tempestade, os três decidiram pegar o carro e ir para casa, mas não deu tempo. Assim que ligou o automóvel, a enxurrada veio de surpresa e começou a arrastar o veículo. Nós ficamos com muito medo e descemos do carro. O problema é que a correnteza estava extremamente forte e não conseguimos correr para um local seguro, disse Silva.

Ele contou que os três se agarraram no carro e foram levados para dentro do córrego. Foi horrível. Nós pedíamos para alguém nos ajudar, jogar uma corda, qualquer coisa que nos tirasse dali, mas ninguém conseguia fazer nada, destacou.

A força das águas jogou Silva sobre um barranco formado pela areia tirada pela draga que está fazendo o desassoreamento do córrego, ainda na altura da avenida Alfredo Maia. Ele conseguiu salvar sua filha, Ana Beatriz, que estava boiando agarrada a um tronco.

Já sua esposa foi levada pelas águas e, até o fechamento desta edição, nem ela nem o veículo haviam sido localizados. (RA)

Carros são arrastados e casas inundadas

Vários bairros da cidade ficaram sem energia elétrica e com água por todos os lados devido à tempestade que caiu ontem em Bauru. Na Vila São Manoel, de acordo com informações da Polícia Militar, muitas famílias tiveram as residências invadidas pela enxurrada. A água chegou a subir mais de meio metro nas casas que margeiam o córrego da Grama.

Duas famílias perderam todos os seus pertences depois que suas casas foram tomadas pelas águas na rua Cristóvão Chance, na Vila Ipiranga.

Nem mesmo as áreas consideradas nobres da cidade foram poupadas pela força da chuva. Na Zona Sul da cidade, o estrago foi grande no Jardim América. Na rua Paulino Rafael, os carros que estavam estacionados na Praça Palestina foram arrastados e algumas casas também ficaram alagadas. Segundo a Defesa Civil, até o condomínio de alto padrão Shangrillá teve registro de casas invadidas pela água.

Nos pontos que já são considerados críticos devido à fragilidade em épocas de chuva, pontes e casas foram levadas pela enxurrada, como foi o caso da região entre os bairros Independência e Vila Giunta, principalmente no trecho onde se localiza a rua Maria Lúcia. Não tivemos condições de chegar às localidades mais problemáticas da cidade, pois elas ficaram ilhadas, salientou Álvaro de Brito, coordenador da Defesa Civil.

Ele contou que havia sido avisado por institutos meteorológicos de que a cidade seria atingida por uma forte chuva na tarde de ontem. No entanto, não imaginou que ela seria tão violenta. Não tivemos como nos prevenir. Além de não estarmos equipados como seria necessário, a força das águas nos pegou de surpresa, salientou.

Como veio acompanhada de vento, a tempestade também derrubou árvores e placas de trânsito. Na Praça José Brumatti (altura da quadra 30 da rua Gustavo Maciel), uma árvore inteira caiu, ficando inclusive com as raízes expostas.

PS Ipiranga

Os pacientes que estavam no Pronto-Socorro (PS) da Vila Ipiranga tiveram que ser removidos às pressas para o PS Central. A transferência foi feita pouco antes da localidade ser tomada pela enchente. Se tivessem demorado cinco minutos para retirar as pessoas de lá, elas teriam ficado ilhadas, já que as águas tomaram conta de todas as ruas ao redor do PS, disse Brito. Medicamentos e materiais médico e odontológico foram destruídos com a inundação.

Furtos

No meio da confusão que ser armou na cidade, os ladrões ainda tiveram tempo e coragem para furtar dois veículos. O Escort preto, placa DAW 1554, de Bauru, foi furtado próximo à Prefeitura Municipal, enquanto a camionete cabine dupla, placa BHG 6696, também de Bauru, foi levada da rua 13 de Maio. (RA)

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