Na vitória do time da casa sobre o Flamengo de Guarulhos, os visitantes tentaram agredir o árbitro e brigaram com policiais militares
O Campeonato Paulista da Série A-III mal começou e já virou caso de polícia. Uma grande confusão aconteceu na noite de quarta-feira, em Jaboticabal, pela segunda rodada da competição.
Após a vitória do Jaboticabal sobre o Flamengo de Guarulhos, por 2 a 1, os jogadores do time visitante tentaram agredir o árbitro Rodrigo Martins Cintra e depois enfrentaram a Polícia Militar. Na confusão, um jogador e um integrante da comissão técnica do Flamengo foram indiciados e liberados após registrarem um Boletim de Ocorrência no Plantão Policial. O jogo foi tumultuado e três flamenguistas - Spana, Torrinha e André Manga - foram expulsos. No final, Rogério, que passara a ser o capitão do time após a expulsão de Spana, tentou impedir que Cintra chegasse aos vestiários. Os companheiros de Rogério, a comissão técnica, os reservas e os dirigentes fizeram o mesmo. A PM teve dificuldades para isolar o árbitro e, quando conseguiu, foi agredida verbal e fisicamente pelos jogadores de Guarulhos.
Como a animosidade era grande entre a torcida local e os jogadores do Flamengo, o árbitro teria de encerrar o jogo perto da escolta de três PMs, que o isolaria de possíveis agressões, mas isso não ocorreu, explica o capitão da PM José Roberto Frade Santiago, responsável pela segurança da partida. Ele comandou 22 homens e afirma que avisou aos jogadores que seriam detidos se agredissem o trio de arbitragem. Eles passaram a nos ofender ostensivamente e dei voz de prisão, por desacato, ao Rogério, que foi imobilizado, diz ele.
Para tirar Rogério da confusão, o PM encarregado arrastou-o de costas. Um PM levou um pontapé e eu tomei um soco na barriga, garante o capitão Santiago. Gás pimenta, uma arma não letal, foi usada para acalmar a equipe do Flamengo. Só o capitão da PM e oficiais graduados estavam armados com revólver. A PM queria evitar uma possível invasão de cerca de 500 torcedores do Jaboticabal, que estavam furiosos com os flamenguistas e à beira do alambrado do estádio. Então, decidimos limpar o campo rapidamente, diz Santiago. Para isso, usaram cacetetes até que todos fossem para o vestiário.
No Plantão Policial, Rogério e Adão Braga Neri, identificado como um integrante da comissão técnica, foram indiciados. Em seguida, todos foram liberados. Santiago disse que fará um relatório para ser enviado à Federação Paulista de Futebol e que o representante e o árbitro farão o mesmo. Dirigentes do Flamengo reclamaram de excesso da PM e Santiago afirmou que o comando da PM na região vai determinar a abertura de uma sindicância ou um inquérito interno. Vamos apurar responsabilidades e, se houver excesso de alguém, haverá punição, afirma o capitão.