No final de 1999, a RFFSA, através de seu Escritório em Bauru, cedeu, por convênio, à Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF), de Campinas, a locomotiva 401, desativada há muito tempo e que por mais de 10 anos se encontrava estacionada nos fundos das Oficinas da ex-NOB, sofrendo a ação de marginais, vândalos e aproveitadores que retiravam ou inutilizavam peças importantíssimas.
Na época se falou que a locomotiva era patrimônio bauruense e que isso jamais poderia ocorrer. O fato é que se ela continuasse como estava, pouco ou quase nada restaria hoje para o reaproveitamento ou restauração. O Jornal da Cidade noticiou o fato, mostrando fotos, inclusive publicando pronunciamentos de autoridades municipais sobre o assunto.
Adquirida pela ex-NOB, em 1919, pertencia ela a um lote de 10 máquinas, de números 401 a 410, recebidas em Bauru no ano seguinte, completamente desmontadas. O ferroviário recebedor e que esteve nos Estados Unidos, junto à fábrica, foi Antonio Ferreira dos Santos que posteriormente recebeu o apelido de Antonio americano.
Em 17 de janeiro de 1921, a locomotiva 410, a primeira, montada nas Oficinas em Bauru, trafegou até a estação de Mirante, retornando sem qualquer problema, sendo recebida por um enorme número de ferroviários que exigiram tivesse o nome de Arlindo Luz, uma homenagem ao diretor da ferrovia. O maquinista, sr. Joaquim Rodrigues Maduro, foi o seu primeiro piloto.
Já a locomotiva 401, montada posteriormente, teve a denominação de Pires do Rio, em razão da presença em Bauru do ministro de Viação e Obras Públicas, sr. Pires do Rio, que veio inaugurar as Oficinas e outras instalações da ferrovia, construídas pelo brilhante eng. Arlindo Gomes Ribeiro da Luz.
Completamente restaurada e após 80 anos, volta a locomotiva 401 a fazer uma outra primeira viagem, agora em maio próximo, entre Campinas e Jaguariúna, conforme informações de meu amigo Hermenegildo Petrocinio Junior, neto do ex-ferroviário da ex-NOB, sr. Francisco Tepedino. Parabéns à ABPF. (Vivaldo Pitta - RG: 6.028.556)