Alegando uma certa intranqüilidade, prefeito de Iacanga afasta e proíbe entrada de diretora e professores na escola
Iacanga - O início do ano letivo numa escola municipalizada de Iacanga está acontecendo de uma forma um tanto quanto tumultuada. De um lado, professores querendo lecionar e se dizendo perseguidos politicamente; de outro, o prefeito, que através de portaria, suspendeu e proibiu a diretora e quatro professores de entrar na escola José Ferraz de Souza.
O motivo das discórdias está relacionado à municipalização do ensino. O prefeito Durvalino Ribeiro não gostou de ficar sabendo que um grupo de professores estaria se manifestando (um abaixo-assinado com possibilidade de surgir um projeto popular) contra a municipalização e nomeou uma Comissão Processante para apurar os fatos. Ao mesmo tempo em que nomeou a Comissão, no último dia 5, o prefeito baixou uma portaria suspendendo as professoras e a diretora da escola. Num dos artigos da Portaria nº 004/2001, de 5 de fevereiro consta a seguinte determinação: A partir desta data, fica terminantemente proibida a presença das acusadas nas dependências da Escola Municipal de Educação Fundamental José Ferraz de Souza, durante o período de suspensão. A suspensão é por 30 dias, prorrogáveis por até 90 dias.
Ontem de manhã quando a diretora Adezir Aparecida Barbosa Abdala chegou para trabalhar, foi impedida de entrar no estabelecimento pelo novo diretor da escola, Roberto Stevanato, recém-nomeado pelo prefeito. No portão da escola estavam também vários homens, numa espécie de vigília, que se apresentaram como funcionários da Prefeitura, dizendo que estavam ali para fazer a manutenção do prédio. A guarda foi mantida e a diretora e as professoras não puderam mesmo entrar.
Indignada com a medida do prefeito, a diretora procurou a Polícia Civil que registrou um Boletim de Ocorrência. O caso, segundo o delegado Jader Biazon está sendo encaminhado ao Fórum de Ibitinga para onde já havia sido encaminhada uma outra queixa, só que esta, registrada pelo prefeito na terça-feira. O prefeito foi registrar que havia afastado as professoras.
Troca da fechadura
Enquanto a diretora da escola, que tinha oficialmente as chaves do estabelecimento em mãos, estava na Delegacia registrando a queixa, o novo diretor que assumia, providenciava um chaveiro para a troca da fechadura. Muitos dos que ali estavam consideraram o ato um arrombamento. Duílio Duka, da diretoria estadual do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) foi um deles. A diretora Adezir disse que havia a necessidade de deixar registrado que, a partir daquele momento, ela não poderia mais se responsabilizar por qualquer documento que viesse a sumir ou aparecer na escola.
Apoio
Assim que começou o tumulto ontem de manhã no portão da escola, não demorou muito para que pais de alunos e professores, inclusive de outros estabelecimentos e velhos mestres aposentados, se aglomerassem em frente à escola numa atitude de solidariedade aos colegas. Uma faixa com os dizeres Estamos de luto em solidariedade aos professores da Escola José F. de Souza, pela discriminação foi logo providenciada.
Acusação
Além da diretora Adezir Abdala, foram afastadas as professoras Dulcinéia Alves de Freitas, Luzia Franco Constantino Pedro, Nair Aparecida Estevanato Tose e Rosa Maria Delaportes Santos.
No texto da Portaria que designa a Comissão Processante para apurar as supostas manifestações indesejáveis por parte das mestras, o prefeito cita que ...estão fazendo circular, através de terceiros, listas para colher assinaturas que, por sugestão e iniciativa das denunciadas, têm o objetivo de apresentar projeto de lei de iniciativa popular, visando o rompimento do convênio retro citado (o da municipalização) e, consequentemente, devolvendo ao Governo do Estado, a responsabilidade do ensino fundamental no Município de Iacanga, sob a alegação de perseguição política, o que vem configurar um atentado à municipalização do ensino fundamental, mola mestra da política educacional da atual administração municipal, além de causar a intranqüilidade dos alunos e de seus pais ou responsáveis, configurando, também, ato tendente a desestabilizar e desacreditar a administração municipal perante os munícipes.
Diretoria de Ensino
A Diretoria de Ensino de Bauru informou ontem que já levou o caso ao conhecimento da Secretaria Estadual de Educação e segundo o dirigente de Ensino, Jair Sanches, aguarda o pronunciamento do Departamento de Recurso Humanos, o que pode ocorrer entre hoje e segunda-feira.
Sem querer se aprofundar muito no assunto, Sanches disse que num primeiro momento, o que se estranha é que mesmo antes de apurar as causas, o prefeito afastou a diretora e as professoras.
A reportagem esteve por duas vezes, ontem na Prefeitura de Iacanga, mas a informação era a de que o prefeito Durvalino Ribeiro não estava no prédio. Por telefone, o prefeito também não foi localizado para comentar o assunto.