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Famílias desabrigadas pedem ajuda para recomeçar a vida

Fabiana Teófilo
| Tempo de leitura: 3 min

As chuvas ocorridas em Bauru ontem e anteontem deixaram cerca de 20 pessoas desabrigadas, de acordo com o coordenador da Defesa Civil, Álvaro de Brito. Essas pessoas pedem ajuda à população. Elas precisam de alimentos, roupas, colchões, calçados e o principal: um lar.

A Defesa Civil orienta os desabrigados a procurarem a casa de parentes e amigos. Isso, entretanto, nem sempre é possível, uma vez que as condições dos familiares e chegados, na maioria das vezes, também não são favoráveis, o que significa a inexistência de acomodação suficiente para todos.

De acordo com o Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) de Bauru, foram 49,5 milímetros de chuva em, aproximadamente, 30 minutos. Essa quantidade é considerada bastante significativa para o curto espaço de tempo em que caiu, ou seja, a intensidade da chuva foi muito forte. A previsão é de que as chuvas continuem hoje e amanhã.

O mecânico Alexandre Rodrigues, morador na rua Barra Bonita, no Jardim América, perdeu todos os móveis, mantimentos e teve três carros de clientes inundados. Não tenho condições de bancar esses carros. Perdi os motores e os carros estão lameados, disse. Ele e mais duas pessoas que moram na casa foram dormir, anteontem, na casa de parentes.

Rodrigues contou que há quatro anos reclama na Prefeitura sobre o problema de galeria existente na Praça Palestina. Já pedimos mil vezes para resolver esse problema, mas a cada ano só piora, afirmou.

Margarida Baldin, moradora na rua Paulino Rafael, em frente à Praça Palestina, disse que o problema de galeria não foi resolvido porque o Ibama não teria autorizado o corte de árvores necessário para a obra. Agora nós vamos entrar com um processo comunitário na Justiça, porque pedir para a Prefeitura não resolve, disse.

Ela, juntamente com suas vizinhas, contou que o desespero na hora da chuva foi maior por parte das crianças moradoras no local. Elas gritavam e choravam de susto. Nós também nos desesperamos porque ver um filho chorando assim não dá para suportar. Estou pensando em mudar de casa, nem que for para pagar aluguel, pelo menos me livro desse transtorno, desabafou Margarida.

Na rua Mara Lúcia Vieira, Vila Giunta, se abriu uma cratera que ameaça engolir as casas existentes no local. Joana Maria de Jesus Ventura, moradora na rua, disse que o muro de sua casa já caiu em uma outra vez em que choveu bastante na cidade. Dessa vez, ela perdeu tudo. Na manhã de ontem, os vizinhos ajudavam na limpeza da casa, que ficou com meio metro de lama e um metro e meio cheia de água.

Os seis moradores da casa tiveram que passar a noite de anteontem no vizinho. Joana disse que está tentando conseguir uma indenização da Prefeitura, porque o buraco existe na rua há mais de dois anos e nunca nada teria sido para consertá-lo.

No Jardim Vitória não foi diferente. As ruas ficaram intransitáveis e algumas pessoas não conseguiam nem sair de casa porque a quantidade de terra acumulada nos portões era muito grande. Com enxadas, os moradores tentavam limpar as entradas das casas.

Moradores na quadra 9 da rua Cristóvão Sanches, na Vila Ipiranga, estavam revoltados com a falta de interesse dos órgãos públicos em ajudar as pessoas que ficam em dificuldades nesses momentos de emergência. Uma criança foi colocada no telhado de uma casa para ficar protegida das enxurradas. Em outra residência, os moradores tiveram que quebrar a parede da sala para que a água saísse.

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