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Ford quer 15% do mercado nacional

Paulo Toledo
| Tempo de leitura: 6 min

A Ford Motor Company Brasil quer atingir um índice de participação (market share) no mercado nacional de 15%, até 2005. Antônio Maciel Neto, presidente da montadora, disse ao Jornal da Cidade, em Londrina (PR), durante a inauguração de uma revenda do Grupo Disbauto, no último final de semana, que esse é um número estimado em razão do desempenho da empresa em outros países, como os Estados Unidos, onde a participação da Ford chega a 24%; no México (18%) e Argentina (16%) - com os mesmos produtos e competidores que a empresa encontra no Brasil.

Maciel Neto disse que, em mais de 30 cidades brasileiras o share da Ford é acima de 20% (inclusive Bauru). Para sair de 9,3%, em 2000, e chegar a 15%, numa variação de quase seis pontos percentuais, uma série de medidas será adotada pela montadora.

Em 2000, a indústria automobilística como um todo teve um crescimento de 15% sobre o ano anterior, enquanto que a Ford cresceu 12%. Porém, o faturamento da empresa aumentou 30%, em razão da venda de produtos de maior valor agregado, como as picapes, ficando acima da média dos concorrentes.

Para este ano, a expectativa do mercado nacional é de que ocorra um aumento de mais 10% no volume de vendas, desde que haja renda e oferta de crédito. A Ford acredita que o Focus será muito importante para o crescimento da participação no mercado, já que não concorre com nenhum outro produto da montadora, criando espaço para conquista de novos clientes. Vale destacar que a demanda deste produto está maior do que o volume mensal de vendas previsto, que era de 1,5 mil unidades.

Porém, para aumentar o volume de vendas, a montadora identificou que precisa aumentar a comercialização no segmento de carros populares, que tem 67% do mercado brasileiro. Se nesse segmento você não cresce, não aumenta a participação. Não significa que vai aumentar a rentabilidade, pois a disputa é muito maior e a possibilidade de ganhos é menor. O preço é que define a compra, destacou.

Outro passo para o crescimento do market share é a ampliação e reestruturação da rede de concessionárias, como foi o caso da inauguração da Disbauto em Londrina. Além disso, a montadora está preocupada com a melhoria dos serviços. Segundo o presidente, as peças e serviços da Ford são muito competitivos em relação à concorrência.

O terceiro ponto é o lançamento de novos produtos, que serão fabricados no Complexo Industrial do Nordeste (localizado na Bahia), como é o caso do Amazon, que utilizará uma nova plataforma que deve dar origem a, pelo menos, três carros, dos quais o Amazon já está projetado e deve ser lançado em 2002, ficando numa faixa de preço entre o Fiesta e o Escort. Um segundo carro está em fase final de projeto e o terceiro ainda está na fase inicial. Esses novos produtos estão sendo concebidos por engenheiros brasileiros para o mercado nacional, o que deve ser uma vantagem.

Ricardo Strunz, diretor nacional de vendas e marketing da Ford, destaca que o Fiesta três portas (que o público chama de duas portas) teve uma arrancada de vendas em 2000, crescendo 62%, pois deixou de ser exclusivo para frotistas. Em maio, houve um reposicionamento, passando a ser encarado como um veículo de entrada da marca para o público em geral, por ser o considerado mais próximo do chamado veículo popular, que é o veículo da família, com preço mais em conta.

Em abril, a montadora vai lançar o Ka Black, uma versão urbana, que será equipado com ar-condicionado, banco de couro, rodas especiais e vidros fumê, se tornando uma alternativa para os carros grandes. A motorização será com as versões Zetec-Rocam de 1.0 e 1.6.

Maciel Neto diz que, atualmente, os três produtos de maior desejo do mercado são o Focus, e as picapes Ranger e F-250.

Norte do Paraná

O presidente da Ford destacou que, no Norte do Paraná, a montadora tem market share (índice de participação no mercado) variado. Ele lembra que em Maringá o índice chega a 19%, enquanto que há dois anos a participação era de 5%; em Arapongas, o share é de 16%, enquanto que em Apucarana (que é a terra natal de Maciel Neto), é de 12%.

Em Londrina, até dezembro, a participação era de 4,4%, apesar da cidade ter 450 mil habitantes e ser a cidade mais importante daquela região. Com a chegada do Grupo Disbauto, essa participação já subiu para 15%.

Maciel Neto destaca que os produtos da Ford têm tudo a ver com o norte do Paraná, que possui um setor de agronegócios muito forte, que gera uma demanda, tanto para serviço quanto para lazer, de picapes, setor que a montadora é líder de vendas no País. Por outro lado, essa mesma característica cria um grande potencial de venda de caminhões, o que é um ponto muito positivo para o Grupo Disbauto. E uma região cuja renda média tem crescido mais do que a renda média nacional. Isso cria uma demanda para os produtos da Ford, afirmou.

Londrina estava com problemas de concessionárias da Ford, em razão das duas existentes não estarem focando o trabalho na área de veículos, por uma série de problemas, segundo o presidente. Assim, o Grupo Disbauto passou a ser o único revendedor da marca, que deve investir muito naquela região.

O Paraná, como um todo, teve uma participação de 9,2% nas vendas da Ford no País. A região norte tem a mesma importância do que a Grande Curitiba.

Disbauto triplica participação Ford no mercado de Londrina em um mês

A chegada do Grupo Disbauto no mercado de Londrina (PR) surtiu resultados imediatos para a Ford Motor Company Brasil, com incremento na participação de mercado. Em janeiro, mesmo sem ter sido inaugurada oficialmente o que ocorreu na última sexta-feira , a nova concessionária comercializou 101 carros novos da marca, que tinha uma média mensal de vendas de 20 veículos. Assim, o market share (índice de participação no mercado) da Ford cresceu de 4% para 15% dos carros emplacados naquela cidade.

Daniel Garcia Alonso e Doélio Tondati Molina, sócios-diretores do Grupo Disbauto, revelam que a cidade de Londrina vai contar com três unidades da empresa: show-room de veículos e picapes; área de peças e serviços num prédio que já está sendo locado e uma revenda dedicada exclusivamente a caminhões (a chamada Franquia 51). Tudo isso deve ocorrer imediatamente.

A partir de Londrina, o Grupo vai atuar no Norte do Paraná, sendo 13 cidades na área de automóveis e picapes e 48 municípios no setor de caminhões. A intenção é que, na parte de carros e picapes, o Grupo atinja um market share semelhante ao que tem na cidade de Bauru, que é de 22%.

Participaram da solenidade de inauguração, que teve grande queima de fogos, além da diretoria da Ford, o secretário municipal de Desenvolvimento, Otávio Cesário Pereira Mello, representando o prefeito Nedson Micheleti (PT); além do deputado federal Alex Canzinhan.

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