O mau hálito pode estragar qualquer tipo de relação pessoal, seja ela romântica ou profissional
Um belo sorriso contribui para uma boa aparência. Mas, ao contrário do que muitos pensam, uma boca sem dentes ou com cáries incomoda muito menos as outras pessoas do que o mau hálito. Isso é o que uma pesquisa realizada 1999 pela Close-up, constatou. De 1500 pessoas entrevistadas em diversas regiões do País, 88% respondeu que, em relação às condições da boca e dos dentes, o que mais incomoda é o mau hálito. Podendo escolher mais de um item, na seqüência vieram: dentes cariados (79%), dentes perdidos (56%) e dentes tortos (28%).
O resultado da pesquisa não chega a ser completamente um espanto porque é inegável o constrangimento que o mau-hálito pode causar e os prejuízos que ele pode trazer às relações pessoais. Quem sofre com esse mal, geralmente cria hábitos para disfarçar, que vão desde o consumo exagerado de balas ou gomas de mascar, o isolamento e a opção de não abrir a boca. Ou seja: a pessoa deixa de sorrir, deixa de brincar e de se divertir. Não leva mais uma vida normal.
Também chamado de halitose, o mau hálito ocorre quando o ar exalado pela boca apresenta odor desagradável. De acordo com a cirurgiã dentista Laura DOttaviano, as estimativas são de que o problema atinja mais da metade das pessoas, pelo menos ocasionalmente, e de que mais de 85% dos casos estejam relacionados diretamente à proliferação de bactérias na cavidade oral.
A importância da escovação
A causa mais comum de halitose é a produção de compostos sulfúricos (que contêm enxofre) por bactérias presentes na boca. Estes microorganismos se alimentam de resíduos e restos de alimentos, formando uma massa gelatinosa que adere ao dente: a placa bacteriana.
Nesse processo, a placa que se deposita nos dentes, gengivas e língua, libera alguns subprodutos - decorrentes da degradação dos tecidos de suporte do dente (gengiva e fibras periodontais) - entre eles compostos de enxofre: o principal responsável pelo mau odor do ar que exalamos.
A higiene bucal é, portanto, a melhor forma de combater o mau hálito, porque promove a remoção da placa bacteriana. Além disso, a escovação irá minimizar o aparecimento das demais doenças bucais, como gengivite, periodontite e cárie.
Para isso, o melhor que se tem a fazer é lançar mão de todos os recursos, como escova, fio e creme dentais, além de persistência e disciplina. Laura DOttaviano lembra que a halitose não é classificada como uma doença, mas como um sintoma de desequilíbrio no organismo. É sinal de que algo não vai bem. Por isso, veja o que você pode fazer para ajudar a controlá-lo.
Mau hálito sob controle
Escova, creme e fio dentais: cada um destes produtos usados na higiene bucal contribui de alguma forma para a eliminação do mau-hálito.
Creme dental - A evolução na formulação dos cremes dentais tem permitido que estes produtos apresentem muitos benefícios. Além do flúor, de comprovada eficácia no combate às cáries, pois contêm substâncias que ajudam a reduzir a acidez da boca, controlam o desenvolvimento da placa bacteriana ou prolongam a sensação de limpeza e refrescância após a escovação. Essas qualidades contribuem diretamente para a manutenção de hálito puro.
Escova dental - Para escolher a escova, Antonio Carlo Vanzo Júnior, cirurgião dentista, aconselha a aquisição de uma que tenha a aprovação da Associação Brasileira de Odontologia ( a maioria das escovas do mercado possui essa aprovação). Quanto às características técnicas, a escova deve ter o cabo anatômico e dar segurança para os movimentos durante a escovação.
Já o tamanho da cabeça deve ser adequado à anatomia bucal de cada um, permitindo que a escova chegue a todas as partes da arcada dentária. Quanto às cerdas, Laura recomenda as macias e médias, que possuem poder de limpeza com menor abrasão do esmalte e outras estruturas dos dentes e das gengivas.
Fio dental - A função do fio dental na higiene bucal é a de complementar o trabalho da escova, removendo a placa bacteriana e os resíduos de alimentos que se acumulam entre os dentes e sob a gengiva, e, como não são retirados pela escovação, podem levar ao aparecimento das cáries, tártaro, doenças das gengivas e também do mau hálito.
Vanzo explica que o fio dental deve ser usado pelo menos uma vez ao dia, introduzindo-o suavemente entre todos dentes e conduzindo-o até abaixo da gengiva. Em seguida, desliza-se sobre cada dente para retirar os depósitos de placa bacteriana e os resíduos de alimentos.
Outros agentes causadores do mau hálito
Nem sempre o mau hálito tem origem no descuido com a higiene bucal. A diminuição da produção de saliva, que tem propriedades antibacteriana, pode predispor ao mau hálito porque reduz as defesas naturais contra as bactérias presentes na boca. É a chamada boca seca. Para diagnosticar se o organismo está produzindo menos saliva do que deveria, é preciso consultar um dentista especialista em patologia bucal, que poderá prescrever um exame que confere o tamanho e o funcionamento das glândulas salivares, chamado de silografia.
A diminuição da saliva é mencionada como possível efeito colateral na bula de cerca de 500 medicamentos, principalmente os indicados para ansiedade e hipertensão. As substâncias químicas dessas drogas, apesar de distintas, bloqueiam os sinais para que o organismo produza mais saliva.
O fenômeno da boca seca pode ser causado também por problemas no nariz, como desvio de septo, que acaba levando as pessoas a respirarem principalmente pela boca.
Alimentar-se pelo menos a cada três horas e mascar chicletes (sem açúcar) estimulam a produção de saliva. Beber bastante água também é uma solução paliativa.
A ingestão de alimentos ricos em enxofre, como alho, bebidas alcoólicas, enlatados, cebola, gordura animal e outros, mesmo depois de uma higiene bucal eficiente, também pode levar ao mau hálito. Isto porque suas substâncias são absorvidas pelo organismo e vão para a corrente sangüínea. Como a oxigenação do sangue é feita pelos pulmões, elas são expelidas durante a troca de ar nos alvéolos dos pulmões, causando o mau hálito.
Existem ainda algumas doenças, como a diabetes e os problemas renais, que podem ser responsáveis pelo aparecimento da halitose. Os portadores de diabetes, por exemplo, apresentam hálito cetônico, pois o organismo produz em excesso a substância cetona. O cheiro da substância segue o mesmo caminho dos alimentos ricos em enxofre: corrente sangüínea e pulmões.
Os problemas renais também influenciam no hálito porque, como os rins têm como função filtrar o sangue, quando seu funcionamento está comprometido, as toxinas permanecem na corrente sangüínea, expelindo odor desagradável pelos pulmões. Em todos os casos, a procura de um especialista é fundamental para se resolver o problema.