Geral

Pescaria com sino

(*) Nelson Braga
| Tempo de leitura: 2 min

Não muito distante de Piratininga, na fazenda São José, existe uma represa, a mais bonita da cidade, um cartão postal. Antigamente esta fazenda pertencia a uma família tradicional e a dona só deixava pescar na represa os colonos, os parentes e os amigos; como todos os moradores de Piratininga eram amigos, acho que todos já pescaram nela.

Existem vários tipos de pescarias, alguns gostam de pescaria solitária, pega uma ou duas varas, uma garrafa de pinga e ao cair da tarde vão para beira do rio arriscar a sorte. Outros gostam de pegar umas nove ou doze varas, para fincar na beira da represa e só voltam no outro dia para colher os peixes; acontece que no último tipo de pescaria os peixes ficam a noite toda se batendo e sempre os maiores escapam, porque arrebentam a linha ou por abrir o anzol.

Eu conheço um pescador, morador de Piratininga, que inventou a pescaria com sino. Contando pouca gente acredita, ela é feita da seguinte maneira: coloca-se uma pequena chumbada e um anzol médio na ponta da linha e joga na represa. A outra ponta, ele levava até uma capela, que não fica distante, e amarrava no badalo do sino. Assim que o peixe começava a beliscar a isca, o sino começava a bater e quando o peixe ferrava, o sino tocava sem parar. Era só pegar uma lanterna e ir buscar o exemplar fisgado. O meu amigo até não gosta de contar esta história verdadeira para ninguém por ter fama de mentiroso, mas eu vi a traíra de dois quilos pega por ele e ouvi o sino badalar que parecia chamando os fiéis da igreja para a missa. Ele ficava apenas limpando os peixes, sempre atento no bater do sino.

Quem não acreditar, é só vir a Piratininga, procurar-me e iremos até o inventor deste tipo de pescaria para ouvi-lo. Desejo a todos os pescadores e contadores de história um 2001 cheio de alegria.

(*) Nelson Braga é pescador e contador de histórias.

Nota do pescador - a pesca na referida represa está proibida por causa de maus elementos que atearam fogo ao seu redor.

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