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Erosão põe casa em risco no N. Paulista

Josefa Cunha
| Tempo de leitura: 3 min

Moradores cobram providências do poder público para reparar erosão que chegou a apagar uma rua do mapa

A família do pedreiro Elias Martins da Rosa, 33 anos, está vivendo momentos de desespero há mais de uma semana. A tempestade que caiu do último dia 8 abriu uma erosão de aproximadamente 12 metros de profundidade que ameaça engolir a casa onde residem, na quadra 5 da rua Aurélio Duarte, na Vila Nova Paulista. O local foi um dos mais afetados pela chuva e até ontem não havia recebido reparos por parte da Prefeitura.

A mulher de Elias, Sandra Aparecida da Rosa, 28 anos, conta que o que viu na quinta-feira da semana passada mais parecia filme de catástrofe. Isso aqui (disse apontando a erosão) era uma rua que não levou mais de meia hora para desaparecer. Foi horrível. Um redemoinho se formou em cima daquela galeria e foi engolindo tudo. Em pouco tempo, a rua virou isso aí que você está vendo, retratou.

A extinta rua a que Sandra se referiu é a João Inácio Rodrigues, cuja existência teria sido questionada por um agente municipal que esteve visitando o local dias depois do temporal. O homem insistiu que a rua não existia, mas eu mostrei a planta do terreno para ele, contou Elias.

O desbarrancamento causado pelas águas invadiu o terreno de Elias, levando, inclusive, materiais de construção que ele havia comprado recentemente para continuar a casa que, aos poucos, vem erguendo no lote da frente. Segundo ele, teriam sido carregados 2.500 tijolos e mais 3.000 telhas, adquiridos com o dinheiro da venda do carro da família. O fusquinha que a gente tinha tava (sic) tudo ali. Foi tudo embora, num prejuízo que ainda vamos amargar por muito tempo. Eu fui reclamar na Sear do Centro (Secretaria das Administrações Regionais), mas o cara que me atendeu disse que só podia me arrumar umas 1.500 telhas usadas. Eu disse que não daria para cobrir a minha futura casa e ele falou que eu não precisava de uma casa tão grande. Ao invés de ser confortado, me senti diminuído. Só porque a gente é humilde não pode ter uma casa maior e confortável?, indignou-se.

Elias, sua mulher e os quatro filhos do casal continuam morando à beira da erosão, embora a Defesa Civil tenha condenado o imóvel. Os móveis que haviam na casa estão todos distribuídos entre parentes e amigos. Dentro da casa, apenas algumas cadeiras, duas camas improvisadas sobre tijolos e uma televisão. Uma câmera filmadora também foi estrategicamente deixada para registrar eventuais novos problemas. Foi com ela, por sinal, que Sandra filmou a violência do temporal levando a rua e tudo mais que encontrava pela frente.

Apesar do alerta feito pela Defesa Civil, Elias e Sandra se recusam a abandonar o local. As coisas não podem ser desse jeito. A nossa casa fica prestes a cair, mandam a gente sair e pronto? Queremos que a Prefeitura tome providências, porque é aqui que investimos o dinheiro que ganhamos nos últimos anos. Foi aqui que escolhemos viver e é aqui que queremos morar, sentenciou o chefe da família.

Rosa acha que o enorme estrago foi conseqüência de um vazamento na galeria de concreto que passava sob a rua. A água foi comendo a terra e provocando o redemoinho. A gente viu como tudo aconteceu, frisou. Por este motivo, ele credita ao poder público a responsabilidade pelos prejuízos.

Reparo está a caminho

O secretário municipal de Obras, Edmilson Queiroz Dias, informou que a Prefeitura já está agindo contra a erosão aberta na Vila Nova Paulista. O ataque ao problema iria começar ontem, a partir da erosão existente na rua Moacyr Teixeira, na Vila Ipiranga. Trata-se da mesma área de influência, de forma que os serviços na Moacyr Teixeira já irão refletir melhoras na Nova Paulista, cujo aterro virá na seqüência, anunciou. A população só precisa ter um pouco de paciência, porque não temos capacidade de atender tudo de uma vez. Estamos seguindo uma lista de prioridades, determinada conforme a gravidade dos problemas, disse.

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