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Aciflora exporta projeto ambiental

Josefa Cunha
| Tempo de leitura: 3 min

Comitiva da Nicarágua veio conhecer projeto desenvolvido com empresas que utilizam madeira como matéria-prima

Um projeto de recomposição vegetal desenvolvido pela Associação de Recuperação Florestal e Ecológica da Região de Bauru (Aciflora) está chamando atenção de outros países. Esta semana, a entidade recebeu a visita da Missão de Modernização dos Setor Dendroenergético da Nicarágua, um órgão correspondente ao Ministério das Minas e Energia brasileiro. A comitiva veio conhecer o trabalho implantado há 14 anos e que já foi responsável pela reposição de 50 milhões de árvores.

O projeto nasceu para atender o Código Ambiental Brasileiro no que dispõe sobre o consumo de recursos naturais. Seu principal alvo são as pequenas e médias empresas que utilizam madeira de árvores nativas, a exemplo do pinus e eucalipto, como matéria-prima na produção - padarias, carvoarias, olarias e pizzarias. A preocupação de repor a madeira consumida é sustentado no fato de o corte das árvores nativas ser livre no País.

O engenheiro agrônomo Antonio Edson Vido, responsável técnico da entidade, explica que o projeto intermedia o ciclo consumo-produção da matéria-prima. As empresas pagam pelo que consomem, o dinheiro recolhido é convertido em mudas, que por sua vez são doadas para a reposição de tudo aquilo que foi gasto. As doações são feitas a produtores rurais, que assumem o compromisso de zelar pelo crescimento das árvores, usufruindo com a comercialização delas no futuro. A Aciflora é responsável também pela vistoria do plantio e fiscalização durante os primeiros cinco anos de vida das árvores. Esse nosso projeto visa atender às pequenas e médias empresas, que não têm suporte para atender à reposição imposta pela lei. Já as grandes são auto-suficientes nessa questão, ou seja, mantêm seus próprios programas de reflorestamento, disse.

Atualmente, a Aciflora de Bauru atua em 30 municípios da região - compreendidos um raio de 150 quilômetros -, mas outras 11 entidades desenvolvem o projeto no Estado de São Paulo, o qual já foi adaptado em países da Europa, como Portugal. Em Bauru, a Aciflora também contribui com a recomposição da mata ciliar do rio Batalha, que já recebeu mais de 80 mil mudas.

Procura não contempla expectativas da entidade

Enquanto organismos ambientais de outros países importam o modelo de reposição florestal do Brasil, uma boa parte das empresas nacionais parecem parece desprezar o projeto desenvolvido pela Aciflora. Mesmo em Bauru, a procura das pequenas e médias empresas estaria aquém das expectativas da entidade, cuja estimativa é de que 25% dos potenciais participantes estejam à margem do projeto. Por sua vez, muitos dos que estão cadastrados atrasam o pagamento das taxas.

Na opinião de Antonio Edson Vido, o interesse seria unânime se os empresários se dessem conta do retorno que teriam caso optassem pela participação. Atualmente, estamos doando cerca de 500 mil mudas por ano, mas gostaríamos de ampliar esse número. Para isso, dependemos da contribuição dos empresários. Eles precisam ter em mente que o retorno, ainda que leve seis anos, é certo, salientou o engenheiro.

O raciocínio é simples: quanto mais matéria-prima existir e quanto mais perto ela estiver, menos custará. A pura lei da oferta. Nos últimos anos, o preço da madeira subiu na proporção que o projeto de reposição caiu. Se todos contribuíssem, estariam pagando bem menos pela matéria-prima, reforçou Vido.

A contribuição das empresas para o projeto não é onerosa. Para cada metro estéreo (unidade de medida específica) de lenha consumido, o recolhimento é de R$ 1,50, correspondendo à reposição de 5 árvores. No caso de toras, o metro cúbico equivale a uma contribuição de R$ 1,80, o suficiente para repor seis árvores. O programa ainda tem seu valor social, colaborando com o aumento da oferta de emprego. Estudos atestam que cada 10 hectares reflorestados gera de quatro a cinco empregos diretos e indiretos.

As empresas que consomem madeira que quiserem regularizar as dívidas pendentes ou se cadastrarem no projeto devem procurar a Aciflora, localizada na avenida Rodrigues Alves, 46-15 (próximo ao Horto Florestal). Informações pelo fones 230-5975 ou 230-8300.

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