Salvo uma reviravolta nas cabeças dos dirigentes dos partidos e, principalmente, nas idéias dos seus representantes com assento na Câmara e no Senado da República, não se vão concretizar de pronto as esperanças de entendimento nacional tanto desejadas pelo chefe do Governo. Parecia que, mediante as eleições para escolha dos comandos das duas Casas, tudo se acertaria com vistas à conciliação política do País, já que se poderia, então, harmonizar os pensamentos do Executivo com os do Legislatvo. Parecia, repetimos, que, finalmente, a desarmonia dos poderes iria ceder lugar à pacificação entre situacionistas e oposicionistas. Contudo, somente parecia, uma vez que desencadeado o processo sucessório das presidências dos senadores e deputados todo o panorama se modificou, haja vista que conforme se constatou nos pleitos congressistas a desarmonia imperou agressivamente. Nos círculos que se entremostravam harmônicos, os dignitário como que saltaram da boléia, abandonando o carro à sua própria sorte... E deu no que deu, com muitos querendo ser candidatos aos mesmos cargos. Então, as eleições, que se prenunciavam suaves e amenas, caracterizaram-se por traições partidárias de todos os lados e acabando por se tornarem nas mais acirradas e tumultuadas da história congressista. Conseqüentemente, quem já contava as horas para ver nos entendimentos frutos opimos entre Situação e Oposição começou a cair no desencanto, simplesmente porque, na ausência de melhor espírito, sincero e honesto, mais que o imaginado pelos que, rotineiramente, se posicionam contra os objetivos governamentais, passou-se à convicção de que a tranqüilidade ainda não virá chegar sua hora e de que a Nação terá um ano legislativo dos mais conturbados e contundentes. Já prevendo isso, o novo presidente do Senado, Jader Barbalho, advertiu imediatamente: Temos de paralisar o processo de opressão e de disputas de dossiês sem que isso signifique engavetar processos em curso. É preciso evitar que se lance o Senado Federal na torrente de agitação política pura e simplesmente. Considerando-se que só se deve opor a um caminho quando se sabe da existência de outro melhor, por que tergiversar...? E, em qualquer conjuntura, com a qual concorda plenamente o novo gestor da Câmara, Aécio Neves, a melhor saída é a da conciliação, sem prejuízo da oposição bem-intencionada, realmente honesta, que não pode silenciar quando imprescindível, ainda que gere emoção e lágrimas. O País vai ter que dar tempo ao tempo para constatar se foi válida a agitada eleição congressista de quarta-feira, que não era a de Cinzas... É a nossa opinião!
(*) N. Serra, jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.