Geral

Secretário ironiza chegada de missão

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 4 min

Vejam os rostos de satisfação que eles estão apresentando... disse o secretário da Agricultura, João Carlos Meirelles

Lins - O avião Brasília, pertencente à Força Aérea Brasileira e fabricado pela Embraer, que trouxe os técnicos norte-americanos até o frigorífico Bertin, pousou na pista do aeroporto de Lins por volta das 8h45. Foram recebidos pelo secretário da Agricultura, João Carlos de Souza Meirelles, por diretores do frigorífico Bertin e vários técnicos do Ministério da Agricultura. Meirelles arriscou um palpite sobre a viagem e provocou: Vejam os rostos de satisfação que eles estão apresentando; é uma prova de que estão convencidos de que o Brasil é padrão de qualidade desde o avião até a carne, numa referência às disputas do Canadá com o Brasil pelas empresas de fabricação de aviões Bombardier e Embraer.

Para entrar no frigorífico os técnicos tiveram de vestir aventais brancos e começaram a inspeção pelo curral onde estavam 820 animais para serem abatidos. Depois, estiveram nos setores de abate e de industrialização. Um funcionário do frigorífico que acompanhou a vistoria disse que os visitantes fizeram muitas perguntas e demonstraram estar satisfeitos com as respostas, mas evitaram fazer comentários sobre suas conclusões.

Os técnicos estrangeiros, porém, mantiveram-se longe dos jornalistas, protegidos por um rígido controle de segurança montado pela Polícia Federal. No frigorífico, a informação era de que não haveria entrevistas por determinação do ministro da Agricultura, Pratini de Moraes. Só no fim da visita eles permitiram que fotógrafos e cinegrafistas fizessem imagens. Os jornalistas foram mantidos do lado de fora. Apenas o secretário Meirelles aceitou falar com a imprensa, mesmo que rapidamente.

Ao encerrar a visita, os integrantes da comissão levantaram vôo até Tapiratiba (SP), próximo a São José do Rio Pardo, na divisa com Minas Gerais, onde pretendiam verificar as condições de sanidade do gado leiteiro, da Fazenda São José, especialmente das matrizes e reprodutores importados da Europa.

Para a viagem, os técnicos embarcaram em um jato Beachchraft, inglês, cedido pelo Frigorífico Bertin e em um Citation 550, americano, cedido por Frigoboi. A explicação oficial para dispensar os serviços do Brasília foi a de que o avião, fabricado pela Embraer, não conseguiria aterrissar no campo de pouso da fazenda e que, por isso, ficaria aguardando os técnicos em Ribeirão Preto, para a viagem de volta a Capital Federal.

De acordo com Meirelles, após a suspensão do embargo, o Brasil terá condições de ultrapassar a meta de exportação de 750 mil toneladas de carne este ano. O embargo à carne bovina brasileira, promovido pelo Canadá e acompanhado pelos Estados Unidos e México, não produziu até agora nenhum efeito que implicasse na queda das exportações para aqueles países, segundo informou o diretor de exportação do frigorífico Bertin, Marco Bicchieri.

O Bertin é o maior exportador de carne brasileira e, segundo Bicchieri, o frigorífico mantém contratos de exportações de médio prazo, variando entre três e seis meses. Segundo ele, nenhum comprador manifestou desejo de romper as negociações. O mercado americano e canadense corresponde a 15% de toda a carne que foi exportada ano passado pelo frigorífico. A maior preocupação de Bicchieri está relacionada à opinião pública canadense. Com o embargo, podemos ter prejuízo para a imagem de nosso produto junto aos consumidores, afirmou.

Essa preocupação não acontece em relação aos Estados Unidos, pois lá o produto continuou sendo vendido normalmente nos supermercados. É mais uma demonstração de que o embargo foi político, pois as autoridades sanitárias americanas jamais permitiriam que um produto sob suspeita chegasse aos consumidores, enfatizou Bicchieri.

Carne espera liberação

Lins - O Frigorífico Bertin possui 400 toneladas de carne bovina enlatada esperando, nos portos de Santos, para serem embarcadas rumo ao Canadá e aos Estados Unidos, informou o gerente de exportação do frigorífico, Marco Bicchieri. Segundo ele, o Bertin já deixou de faturar US$ 600 mil com o embargo dos países da América do Norte contra a carne bovina brasileira.

Bicchieri disse que, no ano passado, o Bertin exportou US$ 24 milhões para a América do Norte, sendo US$ 20 milhões para os Estados Unidos e US$ 4 milhões para o Canadá. Do total de nossas exportações, 15% vão para a América do Norte, afirmou. O gerente acredita que ainda é cedo para contabilizar prejuízos, com apenas duas semanas de embargo.

Segundo Bicchieri, a Holanda é a maior importadora de carne do frigorífico, que possui cerca de 9 mil funcionários, distribuídos pelas cinco unidades da empresa. Além de Lins, o frigorífico Bertin tem ramificações também em Votorantin, Campo Grande (MS), Naviraí (MS) e Mozarlândia (GO). O abate, nessas cinco unidades, chega a uma média de 4,5 mil cabeças por dia. Só com a venda de produtos para o mercado interno, a empresa faturou R$ 800 milhões, em 2000.

Comentários

Comentários