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Jovem conhece tóxico na adolescência

Daniela Bochembuzo
| Tempo de leitura: 4 min

Há 15 anos, primeira experiência com drogas acontecia no início da fase adulta; hoje, é comum isso ocorrer com crianças

Os jovens estão entrando cada dia mais cedo nas drogas. A constatação é de Celenita de Oliveira Coelho, coordenadora da Pastoral da Sobriedade, ligada à Diocese de Bauru, e presidente da Comunidade Bom Pastor, que mantém grupos de apoio a dependentes químicos e seus familiares. Em 1985, quando as atividades da comunidade começaram, a média de idade dos freqüentadores do programa de ajuda era de 28 anos. Hoje, é de 18 anos.

A redução da idade é explicada pela fragmentação da família e, principalmente, pela profissionalização do tráfico de entorpecentes. O sistema das drogas está muito mais organizado do que há 15 anos. Eles têm marketing de abordagem, diz Celenita. Se antes eles abordavam os adolescentes, hoje eles chegam nas crianças, confirma Rogério (nome fictício), voluntário da Comunidade Bom Pastor e que, nos tempos de usuário, traficava para manter o vício.

Além de trazer mais prejuízos ao organismo do que na fase adulta, o uso de drogas na adolescência têm implicações no momento do tratamento. Como eles começam de bobeira, muito cedo, a maioria tem dificuldade em participar dos grupos de apoio. Não têm vivência, não sabem como podem trocar experiências, explica Celenita.

Por essa razão e também por se tornar co-dependente das drogas, a família é convidada a participar das atividades desenvolvidas pela Comunidade Bom Pastor junto ao dependente.

É preciso que a família deixe de concordar com a dependência e resgate sua essência, que é baseada no respeito e na hierarquia. A casa tem que ser um ninho, um local para acolher, mas também onde há limites, argumenta Maria Elisa Marques, coordenadora da Casa Dia, uma dos programas mantidos pela comunidade.

Tratamento

A Casa Dia é a segunda etapa do tratamento de dependência oferecido pela Comunidade Bom Pastor. O primeiro é o Núcleo de Apoio aos Toxicômanos e Alcoólatras (Nata), que consiste em duas reuniões semanais, de duas horas de duração. Nos encontros, que são realizados às terças e quintas, das 20 às 22 horas, os dependentes participam de atividades de vivência. É através da troca de experiências que eles se conscientizam e se fortalecem para enfrentar o problema das drogas, comenta Celenita.

Caso o dependente não perceba resultados no Nata, é encaminhado para a Casa Dia, que oferece tratamento em regime de semi-internato. Lá, permanece das 8 às 17 horas. Nesse período, participa de momentos de vivência, das atividades da casa, como fazer limpeza e comida, e de espaços para terapia ocupacional e espiritualidade.

Para ser um dos 15 atendidos pela Casa Aberta, o dependente deve ter a família participando do Núcleo de Apoio a Familiares, cujos encontros semanais são realizados no salão de festas da Paróquia da Igreja Santo Antônio. Eles também precisar trocar suas experiências, que são muito dolorosas, aponta Maria Elisa.

A duração do tratamento do Casa Aberta leva, em média, 6 meses. Durante e depois, é aconselhável ao dependente participar das reuniões do Nata. Se conseguir permanecer na abstinência por mais de 5 anos, pode passar a freqüentar o Núcleo de Apoio a Ex-Dependentes (Naed), que realiza encontros semanais. São pessoas que conseguiram se reintegrar à sociedade, comenta Maria Elisa.

Se, pelo contrário, o dependente não obtém sucesso na Casa Aberta, seu caso, se quiser, é encaminhado a uma comunidade terapêutica, onde deve permanecer isolado da família. Cerca de 50% dos casos chegam a essa fase. O índice é considerado satisfatório.

De acordo com Celenita, a média de manutenção de abstinência em outras comunidades e hospitais de tratamento é de 30%. Nosso percentual é mais alto porque, em todo o momento, o dependente continua a ter acesso à comunidade a qual pertence, não quebra seus vínculos. Ele convive com seus problemas diariamente, por isso, sua recolocação é mais facilitada. Não há o impacto pós-tratamento, afirma.

Campanha

Responsável pela manutenção de cinco trabalhos junto a dependentes e familiares, a Comunidade Bom Pastor está precisando da ajuda da sociedade para manter suas atividades. É que, há alguns anos, a comunidade recebeu a doação de um terreno da Prefeitura para a construção da sede da Casa Aberta. O prédio foi construído, mas ainda está sem acabamento.

Se até agosto as obras não forem concluídas e a Casa Aberta não estiver funcionando no local, a Comunidade Bom Pastor pode perder o terreno. Precisamos da colaboração da sociedade, assinala Maria Elisa.

Quem puder colaborar com materiais de construção, tinta e itens de acabamento, pode ligar para a Casa Dia, no telefone 222-7133 ou ir diretamente à sede da Comunidade Bom Pastor, localizada na Rua Rui Barbosa, 9-5, Bela Vista.

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