Araraquara - Fontes ligadas à Kawasaki Heavy Industries, confirmaram na semana passada a decisão da empresa em se instalar no Pólo Aeroespacial de Gavião Peixoto, motivada pela quase certa assinatura de contrato para desenvolvimento e produção da asa principal também do ERJ-190, o maior avião que a Embraer irá fabricar; a empresa japonesa já tem contrato para a produção da asa principal do modelo ERJ-170, e deve enviar ao Brasil a primeira dessas peças, fabricada no Japão, em abril ou maio próximos, para os primeiros testes.
O projeto de instalação da Kawasaki em Gavião Peixoto está sendo preparado para ser submetido à direção da empresa no Japão, e por enquanto não há detalhes disponíveis sobre volume de investimentos, prazos de instalação efetiva, pessoal a ser empregado e outros.
O ERJ-170, avião para 70 passageiros, deverá ser apresentado oficialmente ao mercado no último trimestre deste ano, e uma maquete em tamanho natural da cabine de passageiros está em exposição na Feira Aeroespacial da Austrália, que termina neste domingo no aeroporto de Avalon. O aparelho já tem 223 pedidos, de empresas como a Crossair (Suíça), Regional Airlines (França) e GE Capital (Estados Unidos).
O modelo ERJ-190, que está em desenvolvimento, terá duas versões: ERJ-190-100, para 98 passageiros, e ERJ-190/200, para 108 passageiros. Ambos são versões mais alongadas do ERJ-170, com o qual mantêm alta comunalidade estrutural e de sistemas, do qual diferem pelas asas de maior área e envergadura, pelos motores mais possantes e pelo trem de pouso reforçado para suportar um maior peso operacional. O primeiro vôo desse aparelho está previsto para meados de 2003.
A informação de que a Kawasaki deverá assumir o desenvolvimento e a fabricação da asa do ERJ-190 em Gavião Peixoto reforça a afirmação feita pelo presidente da Embraer, Maurício Botelho, em entrevista exclusiva, na qual esclarecia que a estratégia da empresa seria manter em São José dos Campos a produção dos aparelhos menores e com maior volume de encomendas. A fábrica de São José já está estruturada e preparada para atingir o ritmo de produção de 20 aparelhos por mês, enquanto que a unidade de Gavião Peixoto ficaria encarregada da produção menos seriada, como de aparelhos para defesa, jatos corporativos e as novas famílias 170 e 190. (*colaborou Ricardo Crisssiuma)(**)Especial para o JC