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Região do M. Dota tem 100 estudantes sem transporte

Daniela Bochembuzo
| Tempo de leitura: 3 min

Há dez dias, cerca de 100 crianças residentes no Jardim Ivone, Bauru 2000 e Quinta da Bela Olinda caminham, em média, 30 minutos de suas casas até a escola estadual Professora Ada Cariane Avalone. Embora a legislação garanta transporte escolar a estudantes que morem a dois quilômetros da escola onde estão matriculados, esse direito não está sendo respeitado.

No ano passado, perto da eleição, a Prefeitura arrumou transporte para as crianças. Ficamos felizes porque disseram que o transporte voltaria depois das férias, mas até agora, nada. É um jogo de empurra-empurra. De um lado, a secretaria (municipal da Educação), de outro, a Direção de Ensino. Enquanto isso, estamos nessa vida, sofrendo, reclama a doméstica Luciane Paulino da Silva, mãe de Daiane, 12 anos, e Jebberton, 8 anos.

Matriculados na escola estadual Professora Ada Cariane Avalone, localizada no Núcleo Mary Dota, Daiane e Jebberton andam 40 minutos por dia para fazer o trajeto de ida e volta da sua casa ao colégio. De acordo com Luciane, os filhos chegam cansados, o que os impede de prestar atenção na aula.

A dona de casa Maria Zilda Pereira de Souza vive o mesmo drama. Sem transporte escolar, a filha Ana Cláudia, 9 anos, é obrigada a percorrer diariamente dois quilômetros para chegar até a escola, a mesma dos colegas Daiane e Jebberton. Mãe e filha moram no Bauru 2000 e já perderam as contas de quantas vezes enfrentaram chuvas no trajeto que liga o colégio à sua casa.

Precisamos de ônibus, as crianças estão chegando cansadas às aulas. São mais de 30 alunos sem transporte escolar no bairro. Ou o prefeito garante o transporte ou termina a escola do Bauru 2000, que ele prometeu, durante a eleição, que iria entregar pronta em dezembro, denuncia Maria Zilda.

Repasse

O transporte escolar de estudantes matriculados no ensino fundamental é dever do Município. Para tanto, Bauru receberá este ano verba de R$ 33.150,00, dividida em três parcelas. O montante será repassado pela Secretaria do Estado da Educação.

No total, as cidades abrangidas pela Direção Regional de Ensino de Bauru receberão R$ 115.533,36. Para ter direito ao transporte escolar, os pais de alunos têm que requisitá-lo via ofício à Secretaria Municipal da Educação, afirma Jair Sanches Vieira, dirigente regional de ensino.

A informação não é confirmada pela Secretaria Municipal de Educação. De acordo com declarações prestadas pela secretária Isabel Algodoal, via Assessoria de Imprensa da Prefeitura, no caso das escolas estaduais, os pais têm que fazer requisição à diretora do colégio, que por sua vez encaminhará o pedido à Direção Regional de Ensino. Depois, a requisição deverá ser levada ao órgão municipal.

Já os pais de alunos matriculados em escolas municipais deverão fazer a requisição de transporte escolar diretamente na Secretaria Municipal da Educação. Enquanto isso, as 100 crianças continuam a enfrentar sol e chuva para garantir outro direito constitucional: educação.

Deputado cobrará Estado via Assembléia Legislativa

Cansados do jogo de empurra-empurra entre dirigentes de ensino, os pais de alunos resolveram pedir a ajuda do deputado estadual Pedro Tobias (PDT) para tentar solucionar o impasse do transporte escolar relativo aos alunos residentes na região do Mary Dota.

Ontem, o deputado pedetista compareceu à escola estadual Professora Ada Cariane Avalone para conversar com os pais e ficar a par da situação. Junto, Tobias levou o advogado Édison Bastos Gasparini Jr., a quem ficou incumbida a tarefa de fazer uma representação no Ministério Público sobre o assunto.

Até quinta-feira, uma comissão formada por cinco pais tentará resolver o problema através dos órgãos oficiais de educação. Eles irão à secretaria municipal e à Direção de Ensino. Se não conseguirem nenhuma solução, entraremos com a representação no MP, garante Gasparini.

Enquanto isso, Pedro Tobias irá tentar solucionar o impasse do transporte escolar dos estudantes do Mary Dota via Assembléia Legislativa. O deputado foi ontem a São Paulo, onde iniciará os contatos com representantes da Secretaria do Estado da Educação para buscar informações sobre o caso.

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