Só no último final de semana, foram registrados três casos. Desconhecimento das leis pode ser um dos motivos
Casos de desacato a policiais militares estão cada vez mais freqüentes em Bauru. Apenas neste final de semana, foram registrados três deles. Alguns policiais acreditam que um dos fatores agravantes pode ser o desconhecimento das leis.
A Polícia Militar foi acionada, na tarde do último sábado, devido a um caso de agressão familiar, na rua Caetano Cariani, 13-43, na Vila Lemos.
Viviane Vieira Garcia teria acionado a PM porque seu irmão, R. A. V. G. estava agredindo verbalmente e fisicamente seus pais. A família suspeita de envolvimento com drogas, já que o rapaz já havia furtado a carteira de Viviane e, em outra ocasião, tentado matar o pai, Sidnei Garcia, por enforcamento.
Chegando ao local, o policial Raeder Adilson da Silva estava orientando a mãe de R.A., Valtelisa Vieira Garcia, quando o rapaz passou a agredir o policial com palavras de baixo calão. Foi dada a ordem de prisão por desacato, mas o adolescente não a respeitou. Na tentativa de imobilizá-lo, policial e infrator iniciaram uma luta corporal, por conta da qual os dois se machucaram.
R.A. foi conduzido ao plantão policial, onde foi dada a voz de prisão em flagrante. A fiança, de R$ 150,00, que permitiria ao rapaz voltar para a casa, não foi paga pela família, razão pela qualele foi levado à Cadeia.
No bairro Vânia Maria, outro caso de agressão aconteceu no sábado, por volta das 23h45. A Polícia Militar foi acionada em virtude de um desentendimento entre um casal, na quadra 2 da rua Francisco de Rego Carranca.
Quando os policiais chegaram ao local, constataram que Emerson Renato Cássio comportava-se de forma violenta. Ele agrediu verbalmente os policiais e teria jogado uma barra de ferro na direção da mulher, Graziela dos Santos Cezaro, e de uma criança recém-nascida.
A luta corporal entre Cássio e o soldado Manoel Alex Fáveri teria começado quando o infrator puxou o policial pela farda, arrancando-lhe dois botões. Fáveri sofreu escoriações no braço esquerdo e Cássio foi conduzido à Delegacia.
Ainda no domingo, um terceiro caso de desacato foi registrado no bairro Santa Edwirges, na alameda Licurgo. Os policiais Querino Nero de Quadros e Leandro Teodoro da Silva, ao realizar patrulhamento na região, depararam-se com seis pessoas consideradas suspeitas, já que um deles estaria visivelmente alterado.
Com o objetivo de abordar os rapazes, os policiais pediram para que eles parassem. Os infratores teriam desobedecido o pedido e passaram a ofender e agredir com chutes e socos os policiais.
De acordo com testemunhas, os rapazes utilizavam-se de técnicas da capoeira para golpeá-los. Quando o reforço chegou, dois deles evadiram-se e foi necessário utilizar força física e spray de pimenta para imobilizar os quatro restantes, Fábio Alexandre da Conceição, Reginaldo Fernandes e os menores G.O.S. e D.O., que foram conduzidos à Delegacia.
De acordo com o policial Raeder Adilson da Silva, a pena a ser cumprida por desacato é de seis meses a dois anos de reclusão. Eu acho que ultimamente esses casos têm aumentado porque as pessoas não sabem nada sobre as conseqüências; elas têm desconhecimento das leis. A mentalidade que eles têm é de que a polícia não faz nada, avaliou.
Silva ainda afirmou que os casos de desacato e agressão física são ruins para ambos os envolvidos. É desagradável para nós também. A gente não gosta de se degladiar nas ruas.
De acordo com o capitão Benedito Roberto Meira, o papel da Polícia Militar é de prevenção. Quando o policial aborda um indivíduo nas ruas, ele está representando o Estado, o governo. Se ele tem fundada alguma suspeita, o que é muito subjetivo, ele aborda, justificou.
O capitão acrescentou que a abordagem é uma forma de trabalho da polícia - constitui-se em um dos poderes de polícia. O indivíduo, mesmo que não seja infrator, tem obrigação legal de mostrar os documentos. Ele está sujeito às normas da sociedade, portanto, está sujeito à fiscalização, esclareceu.