A PI não havia participado da rebelião do domingo. Presos fizeram oito agentes de reféns e reivindicam transferências
Pirajuí - Detentos da Penitenciária I (PI) de Pirajuí iniciaram por volta das 14h50 de ontem uma rebelião, tomando oito agentes como reféns. Um deles passou mal e foi libertado para receber atendimento médico na Santa Casa. Os nomes dos reféns não foram divulgados.
A PI não havia participado da onda de motins patrocinada pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) no domingo. Até o fechamento desta edição, por volta de 23 horas, o movimento não havia chegado ao fim.
O comando a Polícia Militar, presente no local, informou que as negociações estavam sendo interrompidas e seriam retomadas na manhã de hoje.
Assim que começou a rebelião ontem, parentes de funcionários foram para o portão da prisão em busca de informações. Logo que foram rendidos, os agentes foram obrigados a abrir as celas e os cerca de 850 detentos tomaram o pátio e telhado da penitenciária.
Entre os rebelados estariam alguns integrantes do PCC. A Tropa de Choque da PM e Corpo de Bombeiros foram para a frente do presídio e ficaram aguardando ordens para agir em caso de emergência. Em um determinado momento, a Tropa ameaçou entrar e os presos, das janelas, passaram a acenar com lençóis brancos.
Não foi informado se os presos estavam armados. Do lado de fora da prisão era possível ver dois presos, nus, sendo espancados por outros presidiários. Segundo informações extra-oficiais, os espancados seriam estupradores, que geralmente não são bem aceitos pelos demais presos.
As informações sobre a lista de reivindicações eram desencontradas. No início, surgiram notícias de que os presos exigiam um telefone celular e a presença de alguém para negociar. Um pouco mais tarde falava-se que os detentos pediam apenas transferências de alguns para outras prisões.
Outras fontes informavam que os presos exigiam que detentos integrantes do PCC, que foram transferidos recentemente de Guarulhos para aquela unidade, fossem retirados da área de isolamento. Na prática, essa exigência teria sido atendida no início da rebelião porque aparentemente todos os detentos passaram a circular pelo presídio.
Segundo um policial civil, que não quis se identificar, os rebelados estariam querendo acertar contas com os membros do PCC. O diretor do presídio, Antonio Paulo Veronezzi, tentava negociar com os detentos.
Ainda segundo o comando da PM, não estava prevista a invasão durante a noite por uma questão tática: a Tropa só interferiria se a situação se complicasse.
Outra suposição que surgiu ontem foi a de que a rebelião seria uma resposta dos detentos da PI que estariam sendo cobrados pelos companheiros da PII por não ter aderido ao movimento de domingo.
Penitenciária II
No último domingo, um detento foi degolado na Penitenciária II de Pirajuí, que fica a poucos metros da PI. Foi a única morte registrada nas penitenciárias do Interior. Até o fechamento desta edição, o clima na PII estava calmo, sem sinais de princípio de rebelião.