Geral

Agitando o terreiro?

(*) N. Serra
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A impressão generalizada de que o último revés nas urnas teria sido a gota que faltava para afogar o apetite eleitoral de Paulo Maluf foi apagada do quadro pelo próprio ex-governador que, retornando de mais uma esticada a países da Europa, reafirmou-se um soldado partidário e não descartou a possibilidade de tentar colocar-se novamente na crista da onda, concorrendo a outro pleito, que poderá vir a ser o presidencial, dentro de dois anos. O homem esteve em diversos centros europeus, seus conhecidos de tantas viagens, teve como injeção de ânimo exemplos de políticos do Velho Mundo que não costumam atirar a toalha ao chão, conforme hábito dos pugilistas, diante de sucessivas derrotas e, vai daí, ter decidido prosseguir, continuar sonhando com os ambientes governamentais, nos quais espera completar sua realização política. E, como bom e arguto estrategista, que tenta ganhar posições antes do adversário, já mandou recado aos seus milhões de eleitores, para que não se comprometam com outros, porque ele vai estar no páreo mais uma vez.

A promessa de Maluf resulta na convicção de que, a algum tempo do próximo pleito, o eleitorado já possui um bocado de nomes para colocar na cabeça, pois, além do turco, estão aí como candidatos praticamente conhecidos Leonel Brizola, Luiz Ignácio Lula da Silva, Tasso Jereissati e até mesmo nosso xará José Serra. Começa então a ficar difícil para o eleitorado definir os seus preferidos, já que se encontra diante de verdadeiros bichos-papões de votos, conforme demonstraram em outras oportunidades. E, se pintarem na paisagem outros de igual gabarito eleitoral, a escolha, então, diante das urnas, vai ser ainda mais problemática. Face a essa perspectiva, já se sabe de muita gente que está torcendo pelo parlamentarismo, uma vez que nesse regime a responsabilidade da escolha final seria transferida para o Congresso. Quem, também, deve estar em dilema, é o ex-presidente Collor, começando-se a falar à boca miúda que o alvo de seu apoio seria Brizola. Agora, porém, com a reentree de Maluf na ribalta dos acontecimentos, mudaria Collor os ponteiros de sua bússola para dar o braço a quem o apoiou quando de sua difícil caminhada para a Presidência, da qual foi depois alijado? Pacificamente, é muito cedo para o eleitorado começar a se agitar. Deixa de sê-lo, entretanto, para os políticos que, não fechando os olhos para seu futuro, acham cedo para que lhe façam suas derradeiras orações. Fúnebres, naturalmente! É a nossa opinião.

(*) N. Serra, jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado).

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