Jaú - A Polícia Civil de Jaú acredita ter esclarecido um dos crimes mais violentos ocorridos nos últimos anos, na região. Dois rapazes, que por outros motivos já estavam presos, estão sendo apontados agora e até já admitiram ser os autores do latrocínio ocorrido no dia 31 de agosto de 1999.
Jéferson Giovani Pracuccio, 22 anos, e Eleandro Moreira, 18 anos, participaram ontem, em Jaú e Boa Esperança do Sul, na região de Araraquara, de uma reprodução simulada do crime praticado na noite do dia 31.
De acordo com o delegado Edmilson Marcos Bataier, da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), as suspeitas sobre os dois já existiam desde o início das investigações mas só agora puderam ser confirmadas. Na época do crime, Moreira era menor de idade e por isso não deverá ser responsabilizado criminalmente pelo ato. Hoje, já maior de idade, ele está detido na cadeia de Jaú sob a acusação de participação em roubo e até por isso foi ouvido recentemente na delegacia. Durante depoimento, policiais teriam conseguido arrancar dele a confissão de participação na morte do professor José Francisco Barbieri de Toledo, 40 anos. Como as declaração envolveram o nome de Pracuccio, este, que também estava preso, só que na Penitenciária II de Bauru, também por roubo, foi levado à delegacia de Jaú para ser interrogado.
A princípio, Pracuccio negou sua participação mas depois teria admitido. O delegado disse que as declarações dos dois se encaixaram perfeitamente nos depoimentos de outras pessoas ouvidas anteriormente. Foi feita, então, ontem, uma reprodução das cenas do crime.
O latrocínio
O professor Toledo morava com a família em Bariri e dava aulas na Fundação de Jaú. Segundo a polícia, ele conhecia os acusados, que moravam em Jaú. Na noite do crime, os três teriam um encontro, após as aulas. Os dois teriam ligado no celular de Toledo enquanto este ainda dava aula, à noite.
Ao sair da Fundação, o professor teria ido até o ponto de encontro, nas proximidades do Contorno e os dois entraram no Ford Mondeo do professor. Os dois rapazes contaram à polícia que pretendiam obter a senha bancária do cartão do professor Toledo, mas encontraram resistência e decidiram amarrar o professor, colocando-o no porta-malas. Pracuccio teria assumido a direção do carro e seguido em direção a Boa Esperança. Num canavial, o carro foi parado e os dois teriam feito nova tentativa de arrancar a senha bancária do professor. Como não conseguiram, não se sabe exatamente por que, teriam decidido executar Toledo, primeiro com um tiro na nuca e um segundo na região do tórax.
Na seqüência, os dois rapazes contaram que foram, de Mondeo, para Ribeirão Preto onde, com dinheiro roubado do professor teriam feito algumas compras. Dos cerca de R$ 200,00, eles contaram que guardaram R$ 50,00 para retornar, de ônibus, a Jaú, na manhã seguinte. O carro foi abandonado em Ribeirão.
O corpo do professor, amarrado pelos pés e mãos, só foi localizado no dia seguinte, por trabalhadores rurais que acionaram a polícia.