Geral

Índios prometem barrar administrador

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Terenas e guaranis de Avaí que ocupam a Funai/Bauru, desde anteontem, disseram que só os funcionários vão entrar

Avaí - É esperado para hoje o retorno do administrador da Funai, em Bauru, Rômulo Siqueira de Sá, que embarcou para Brasília na última segunda-feira. Um dia depois de ter viajado, o escritório que ele administra foi invadido por índios das tribos Terena e Guarani, vindos de Avaí e de aldeias do litoral sul paulista. Com o retorno do administrador, espera-se o início de uma negociação para pôr fim a um impasse que vem se arrastando há algumas semanas.

Os índios, que anteontem invadiram o prédio da Funai, exigem a imediata saída de Siqueira de Sá do comando da instituição. Qualquer tipo de acordo que não seja a efetiva saída do atual administrador parece estar longe de acontecer. O grupo de descontentes com a administração de Siqueira de Sá mostra-se irredutível em sua exigência. Eles alegam que faltou transparência ao atual dirigente da Funai na prestação de contas do que foi gasto pela instituição durante o transcorrer do ano passado. A falta de assistência às aldeias indígenas é outro ponto que estaria desagradando os índios.

Por sua vez, Siqueira de Sá recebeu esta semana o apoio explícito de alguns caciques das aldeias paulistas. Durante reunião, realizada há uma semana, na sede da Funai, em Bauru, entre a liderança indígena e o atual administrador, foi apresentado um relatório no qual estava especificada todas as despesas do ano passado. Para satisfazer a curiosidade, os caciques solicitaram, durante a reunião, informações diretamente de Brasília a respeito do destino dado aos R$ 500 mil recebidos pela Regional, em Bauru. Depois de apresentado o relatório completo, os caciques mostraram-se satisfeitos.

Diante do protesto, que está sendo feito por uma parte dos índios e que pede a saída de Siqueira de Sá, os caciques resolveram enviar ofício ao presidente da Funai, Glênio Álvares da Costa, manifestando apoio ao administrador e ressaltando os esforços que teria feito para tornar as aldeias produtivas e melhorar a qualidade de vida da comunidade indígena.

Segundo o cacique da aldeia de Piaçaguera, Elias Samuel Auadju, toda essa situação poderá prejudicar os próprios índios. Na tentativa de evitar que o impasse continue, as lideranças indígenas procuraram auxílio junto à Procuradoria da República e Polícia Federal. Porém, tanto o procurador Rodrigo Valdez de Oliveira como o delegado federal Antônio Vaz de Oliveira, disseram que somente a direção da Funai, em Brasília, poderá resolver a questão.

Siqueira de Sá não tira a razão dos índios em querer uma detalhada prestação de contas de tudo o que foi gasto com os recursos federais. No entanto, ele lembra que a Funai/Bauru tem 25 projetos em andamento, processos envolvendo questões fundiárias, como a demarcação de terras e despesas com o setor administrativo. Colocando tudo na ponta do lápis, Siqueira de Sá garante que ainda falta dinheiro para solucionar os problemas das 24 aldeias, pelas quais é responsável.

Os índios que estão acampados no prédio da Funai/Bauru disseram, ontem à noite, ao Jornal da Cidade, que o retorno dos funcionários será permitido, a partir de hoje. O único que não terá autorização para entrar, segundo os índios, será o administrador Siqueira de Sá.

Comentários

Comentários