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Compulsão sexual

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 10 min

Não conseguir controlar o desejo de ter uma relação sexual é um problema mais grave do que se imagina. A compulsão sexual pode atingir homens e mulheres a partir da pré-adolescência - quando descobrem seus próprios corpos - e trazer vários prejuízos físicos, emocionais, sociais, financeiros, de saúde e relacionamento.

O apetite sexual excessivo, ou compulsão sexual, como é mais chamado, se caracteriza pelo excesso de desejos e fantasias em se ter uma relação sexual. São desejos sem controle, intensos, recorrentes, invasivos e insistentes, que mexem com a vida da pessoa, explica o médico psiquiatra Waldemar Mendes de Oliveira Jr, assistente do Projeto Sexualidade (Prosex) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

Segundo uma pesquisa publicada pelo americano Martin Kafka, da Universidade de Harvard, 95% dos indivíduos que sofrem com a exacerbação da libido são homens. Mas esses dados talvez tenham sido influenciados por um fator cultural. Para o homem é muito mais fácil falar sobre isso porque para ele é como um troféu. A mulher que tem um desejo exagerado por sexo revela sobre isso para o seu médico, o seu analista, mas não fala para todo mundo, salienta a psicóloga e terapeuta sexual, Dalva Taborianski, que acredita que os casos de compulsão atinjam ambos os sexos, aproximadamente, na mesma proporção. A discussão sobre a maior incidência desse distúrbio comportamental em um sexo ou outro acaba não levando a lugar algum porque não importa se homem ou mulher, a pessoa portadora vai acabar interferindo na vida da outra de alguma maneira.

Do desejo ao vício

Se, para algumas pessoas, ter relações sexuais duas vezes por dia é, normal, então quando isso pode ser considerado compulsão? A resposta é quando o sexo passa a dominar a vida da pessoa, acarretando prejuízos. Não existe um número de relações sexuais que pode ser considerado normal, afirma Oliveira Jr., Se o casal estiver se sentindo bem com a quantidade de relações que têm, tudo bem, conclui.

Ou seja: o problema é quando a pessoa perde o controle sobre o seu impulso sexual e sente uma constante e incontrolável necessidade de buscar o sexo e se torna dependente. É como o vício por alguma droga, no qual o indivíduo fica desesperado para consumi-la, explica o psiquiatra.

Origem do problema

O surgimento da compulsão sexual pode estar relacionado a muitos fatores como tensão, angústia, estresse na vida profissional ou social. Dalva Taborianski destaca, porém, a importância que o relacionamento da criança com os pais tem no aparecimento do distúrbio. Para ela, muitos casos de compulsão sexual acontecem com indivíduos carentes afetivamente, que tiveram uma educação repressora por parte dos pais ou que possuíam pais que brigavam muito. A conquista não vem pelo desejo do sexo em si, mas sim como uma forma de suprir essa carência, diz a terapeuta. O ato sexual seria a forma encontrada pela pessoa de receber carinho, ser tocada, beijada e, assim, se sentir querida por alguém.

Existe também a possibilidade de uma descompensação hormonal interferir no comportamento da pessoa em algum momento de sua vida (no homem o agente seria o hormônio ferormônio e na mulher, o estro-gênio). Mas mesmo nessa hipótese, estaria relacionada à origem psíquica do problema.

Como age o compulsivo

De acordo com Patrick Carnes, autor do livro Isto Não é Amor, lançado no começo da década de 90, no qual traça o perfil do compulsivo sexual, baseado em depoimentos de 932 pessoas, o indivíduo que tem a libido exacerbada pode ser reconhecido por alguns sinais comuns, dos quais ele listou destacou em seu livro.

O primeiro sinal é o descontrole. As pessoas consideradas normais abusam da sexualidade durante certos períodos. Para o compulsivo, o abuso é a prática normal.

O descontrole também traz prejuízos. 58% dos entrevistados relataram severas consequências financeiras e 38% notificaram ferimentos físicos relacionados à compulsão. O terceiro sinal é a inconseqüência: os dependentes arriscam tudo (casamento, profissão, status) em nome do desejo e da fantasia sexual.

O compulsivo também é autodestrutivo. É capaz, por exemplo, de se relacionar com uma pessoa que ele sabe que é portadora do vírus da aids. O quinto sinal da compulsividade é a ansiedade. O dependente promete a si mesmo que aquela é a última vez.

A maior parte do tempo do compulsivo é tomada pelo planejamento e fantasia sobre as próximas aventuras sexuais. E, como o viciado em drogas, o compulsivo sente necessidade de doses cada vez maiores de sexo.

O oitavo sinal da dependência é o estado de espírito. O compulsivo entra em desespero (pela falta de sexo) e sente vergonha (pelo comportamento obsessivo).

Os compulsivos em tratamento reclamam das coisas que deixaram de fazer e da perda de tempo relacionada à própria dependência. O décimo sinal é a negligência. Os amigos, a família, os filhos, o lazer e o trabalho ficam em segundo plano na vida, do dependente sexual.

Prejuízos

Quando não consegue satisfazer o seu desejo, o compulsivo se sente um grande desprazer, angústia e desconforto interno. A obsessão passa a ser tanta que a procura pelo sexo para satisfazer o seu desejo substitui todas as outras atividades da sua vida. Ele deixa de lado a família, o emprego, os amigos, o lazer..., lembra Oliveira Jr. Quando atinge esse estágio, o indivíduo já não faz mais o sexo por prazer, mas para aliviar a sua ansiedade, obter a sua gratificação momentânea. Depois da relação, geralmente, o compulsivo entra em depressão, sente um grande vazio e chega à conclusão que o seu desejo não foi aplacado e, assim, começa uma nova busca por mais parceiros (as).

Os efeitos sociais dessa procura frenética e angustiante acabam sendo destruidores. O compulsivo passa a correr o risco de contrair dívidas para pagar pelo seu sexo adicional, pode pegar doenças sexualmente transmissíveis e, no caso das mulheres, engravidar por acidente, afirma o psiquiatra. Isso sem contar com os efeitos físicos (leia no boxe o que o excesso de sexo pode causar) e emocionais. Como é raro que um parceiro normal, consiga acompanhar o ritmo de um compulsivo, é quase inevitável que haja uma procura por alguém fora da relação, o que, na maioria dos casos termina com o fim do relacionamento, como aconteceu com o ator Michael Douglas. O astro de Instinto Selvagem foi flagrado pela esposa com outra mulher e teve de admitir publicamente que era um compulsivo sexual, chegando a se internar numa clínica para tratamento. Mas Douglas não é o único famoso a admitir o problema. O também ator Charlie Sheen (Top Gang e Wall Street), colecionava prostitutas em Los Angeles para poder satisfazer o seu desejo e, no Brasil, o cantor Fábio Júnior também chegou a procurar tratamento para excesso de libido.

A cura

Um tratamento psicológico é necessário para que o portador da compulsão se livre ou atenue o problema. O objetivo do tratamento não é baixar o fogo do indivíduo, é fazer com que ele faça uma releitura de si mesmo e possa reelaborar seus conceitos sobre tudo, inclusive sua vida sexual, diz Dalva Taborianski. Em alguns casos, o uso de medicação se faz necessário. O mais comum é a recomendação de anti-depressivos de ação serotonigérica, como o Prozac. O medicamento ajuda a diminuir a ansiedade e o desejo sexual excessivo, mas o importante é que a pessoa possa descobrir com o processo psicoterapêutico que existem outras coisas interessantes na vida dela além do sexo, completa Waldemar de Oliveira Jr.

Não sou um tarado

O estudante universitário D., de 26 anos, nunca buscou tratamento para o seu desejo sexual excessivo antes porque acreditava que o exagero era uma prova da sua masculinidade. Fui ensinado pelo meu pai a pegar o maior número de mulheres possível, conta. A recomendação paterna virou um vício e até uma competição que mantinha com o irmão mais velho. Tínhamos uma lista e ficávamos contando cada mulher com quem havíamos transado. Sempre ganhei dele, revela. A descoberta que poderia ter algum distúrbio só veio depois de um tremendo susto. Uma garota com que ele havia mantido um relacionamento longo, contraiu aids. Apesar de nunca ter transado sem camisinha, fiquei com medo e parei para pensar no que estava fazendo, confessa. Hoje ele procura tratamento para se curar da compulsão, com a qual se identificou após ler um artigo em uma revista, logo depois do susto. Ainda não estou curado, mas já estou me controlando melhor com a ajuda da minha namorada. Não sou mais um tarado como antes, diz.

Problemas do dia seguinte

O excesso de sexo também pode causar alguns danos no dia seguinte. Por isso é preciso tomar cuidado com alguns detalhes.

Marcas roxas - Só quando se é adolescente é que elas podem significar algo. Na vida adulta não há nada mais cafona. Os hematomas aparecem quando há ruptura superficial de vasos sanguíneos, após um beijo mais forte ou uma chupada. O sangue sai do vaso e se aloja no tecido. Alguns dizem que passar vinagre ajuda, mas o único jeito garantido é tentar esconder, abusando das camisas pólo e dos lenços no pescoço.

Cãibras - Quem não está acostumado a fazer atividade física pode ter cãibra muscular. O local mais atingido são as pernas. Nessa hora, a pior coisa é fingir que nada está acontecendo. O melhor é parar tudo e esticar o músculo contraído, levantando a perna dolorida.

Joelho ralado - Tapetes e sofás de couro estão entre os maiores inimigos dos joelhos. O atrito prolongado da pele com esse tipo de material pode esfolar, além de causar ardência e vermelhidão. O medicamento é simples: lavar a região esfolada com água e sabonete, três vezes ao dia.

Dentes afiados - As mordidas mais intensas podem machucar. Aplique água e sabão sobre a região machucada. Se o ferimento for grave, procure um médico que possa receitar um creme com antibiótico.

Unhas de gavião - É preciso tomar cuidado para as unhas não deixem feridas e cascas como saldo após o sexo. Passe água e sabão e espere cicatrizar. Casos mais sérios exigem acompanhamento médico.

Alergia à camisinha - Homens e mulheres podem ter alergia ao látex, o que inviabiliza o uso das camisinhas convencionais. Mas não use isso com desculpa para relaxar o sexo seguro, o ideal é encomendar preservativos neutros.

Ele também quebra - O grau de incidência de fraturas penianas é pequeno, mas pode acontecer, apesar de o pênis não ter osso. Um exemplo típico: a mulher está por cima e um movimento brusco faz o pênis sair da vagina; o peso dela recai sobre o membro, que dobra, causando a fratura. Ouve-se um estalo, e a dor é imediata, aguda e intensa. A região fica inchada. Nesse caso, é preciso ir a um pronto-socorro e submeter-se a um cirurgia de emergência. Depois disso é preciso ficar entre seis e oito semanas de jejum total.

Sexo anal - Relações anais sem camisinha podem causar infecção séria nos testículos. Dor intensa durante a ejaculação é um sintoma para detectar o problema em fase não avançada. Na mulher, a alternância de relações anais e vaginais também pode resultar em infecção. Ardência na vagina após o sexo é um de seus indícios. Um ginecologista deve ser consultado.

Seguindo o Kama Sutra - Posições que forçam o pênis são causadoras da doença de peyronie, que faz o pênis pender para o lado. A principal causa é a repetição de relações em que a vagina não está bem lubrificada e o pênis, não muito rígido. Se não estiver se sentindo confortável, pare.

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