Com o enredo www.azulao.com.br, escola foi melhor do que no ano passado
Segunda escola a desfilar no Sambódromo, anteontem, a Azulão do Morro teve como marca a animação de seus integrantes. De crianças a idosos, o samba era cantado por todos, o que facilitou a evolução da agremiação pela passarela.
A comissão de frente veio com cinco casais vestidos em azul e prata, as cores da escola. Nas costas dos homens, havia computadores, cujos teclados eram digitados pelas mulheres, simulando a escrita da palavra paz, que aparecia em azul nas telas. Tudo feito com gestos robóticos, numa analogia à informática.
Logo depois do carro abre-alas, que trazia o azulão, símbolo da escola, vinha a ala do provedor. Entre seus integrantes, sambava animado o escriturário Vinícius Duran, de 18 anos. Apesar de ser cartolense, ele desfilou com garra. Tenho muitos amigos no Azulão, o que me dá muita motivação para desfilar, declarou.
A animação de sambistas como Vinícius contagiou a platéia, caso do garçon José Valentino Oliveira, que aplaudia de maneira esfuziante a Azulão do Morro. A escola está vindo bem na avenida e, por isso, a gente tem que aplaudir de pé. A pobreza faz carnaval também, elogiou.
A segunda ala, batizada de jogos eletrônicos, trazia crianças com máscaras de desenhos japoneses abrindo espaço para carro alegórico de mesmo nome. Depois, na ala do bate-papo virtual, integrantes desfilaram em fantasias em vermelho e dourado, simbolizando o amor.
Em seguida, em fantasias nas cores preto e prata, vinham os integrantes da ala vírus. Um grupo que chamou a atenção foi o da ala do lixo informático, vestidos com palas que traziam dorsos com seios em isopor - muitos dos quais não agüentaram o calor e foram caindo pela passarela. O carro alegórico seguia a mesma idéia, trazendo uma boneca seminua e um destaque vestido de vermelho.
Uma das alas mais bonitas foi a da cultura, cujos integrantes vestiam pala simbolizando a aquarela e capa vermelha. CDs enfeitavam a cabeça ao lado de máscaras, que faziam alusão, respectivamente, à música e ao teatro.
Presidente da escola, Cidinha Caleda desfilou mais uma vez como porta-bandeira, ao lado do mestre-sala Juca do Azulão. Sorridentes, arrancaram aplausos do público. Fazendo a corte, vinham logo atrás Jario Marques de Souza, membro da agremiação e rei momo do Carnaval bauruenses, acompanhado das rainhas da bateria e do Carnaval.
Com batida funk na paradinha e um cuiqueiro junto aos puxadores de samba, a bateria entrou um pouco tímida, mas foi se animando ao final do desfile.
Os carros de pierrô e da paz encerraram o desfile da Azulão do Morro, cujo enredo prega o uso da informática com forma de lutar pela pacificação do mundo. A mensagem pode não ter sido entendida por todos, mas certamente a escola provou que pode ser sinônimo de animação e devotamento.