Com falhas de organização, escola desce incompleta e apóia-se no samba e cabrochas
A escola da Nova Esperança bem que tentou compensar a falta de estrutura com garra, mas falhas de organização de última hora acabaram minando a Corinthians, que fez um desfile apagado na noite de anteontem.
Desde que a comissão de frente entrou, com alguns integrantes sem fantasias completas, pôde se ver que a escola teria problemas na vista. O samba e a performance de Sílvio Negão, dono de um notável vozeirão, foi talvez o ponto alto da festa da escola, junto com o charme das cabrochas, que disseram no pé com sensualidade, sem, no entanto, apelar para o baixo nível.
Apenas 160 integrantes da escola apareceram, nem todos com fantasias completas. A bateria tocou forte, mas sem harmonia; o casal de mestre-sala e porta-bandeira não entrou na avenida, viu-se apenas sete baianas - o regulamento estipula um mínimo de 20 - e, para completar, um carro alegórico ficou na concentração.
Em 47 minutos, o desfile da Corinthians foi marcado pelo improviso. Uma situação que, com certeza, a escola vai tentar reverter ao máximo no desfile de hoje.
Com poucas chances de ficar bem colocada, a Corinthians briga para não segurar a lanterna do Carnaval mais uma vez. E como disse a batalhadora Tia Cida, a presidente da escola, a Corinthians este ano quer mostrar apenas que é digna. Disso ninguém duvida. Mas que a Corinthians precisa melhorar, se quiser ficar no grupo de elite do Carnaval de Bauru, não resta dúvida.(FA)
Vice-presidente da Corinthians critica preço de ingressos
Texto: Ricardo Polettini
O problemático desfile da Corinthians do nova Esperança foi o ponto de partida para desabafo do vice-presidente da escola, Wilson de Oliveira. Segundo ele, pelo menos 100 integrantes da agremiação desistiram de desfilar na última hora, após constatarem o escasso público no Sambódromo.
Oliveira atribuiu o fato à cobrança de R$ 3,00 para os ingressos. O Nilson (Costa) não tinha que tirar dinheiro das escolas. Três reais é muita coisa para assistir aos desfiles e, além de pagar, não pode trazer bebidas de casa, isso é um absurdo. Quando os integrantes da escola chegaram aqui (no Sambódromo), foi um desanimando o outro e muitos acabaram não desfilando, disse.
Tia Cida, presidente da Corinthians, chorou na dispersão. Tanto trabalho para nada, comentou. A expectativa para a noite de hoje, no repeteco do desfile, é que integrantes do bloco 21.+1 participem da apresentação da Corinthians, ajudando, assim, a aumentar as alas da escola.
Na concentração, rivalidade cede lugar à solidariedade
Texto: Daniela Bochembuzo
Na passarela do Sambódromo, rivais. Na concentração, solidárias. É assim que se comportam as escolas de samba na época mais esperada do ano para elas: o Carnaval.
No desfile de anteontem, o Corinthians da Nova Esperança aproveitou o clima solidário da concentração para concluir carros, fantasias e adereços. O sentimento de solidariedade envolveu até mesmo os funcionários da Secretaria Municipal de Cultura, que ajudaram integrantes da escola a colocar na ordem de entrada alas e carros alegóricos.
Valia tudo para garantir que o Corinthians da Nova Esperança, a mais carente entre todas as agremiações bauruenses, entrasse no Sambódromo no horário previsto pela organização, às 22h40.
Mas nem toda a solidariedade do mundo é capaz de impedir os imprevistos, como o que acometeu a comissão de frente da escola. Por descuido de um integrante de apoio, as fantasias, ou melhor, parte delas chegou ao Sambódromo poucos minutos antes do início do desfile.
Eram 23 horas quando José Roberto da Costa decidiu que iria entrar sozinho na comissão de frente. Os demais integrantes ainda não haviam chegado, apesar dos portões já terem sido abertos. Ensaiamos muito e vou desfilar assim mesmo porque amo minha escola, afirmou.
Dez minutos depois, os demais membros da comissão de frente começaram a chegar ao Sambódromo, mas sem a fantasia completa. Sem tempo para delongas, desfilaram assim mesmo. (DB)