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Blocos esboçam organização promissora

Fabiano Alcantara *
| Tempo de leitura: 3 min

Quando o primeiro bloco despontou na avenida, o Unidos do JP, não se via nem cem pessoas no Sambódromo. Ignorando a ausência de público, o bloco esboçou uma estrutura de escola de samba. Comissão de frente, abre-alas, carro alegórico, alas e samba-enredo na ponta da língua causaram uma boa impressão inicial.

O bloco, como se viu em outras agremiações no decorrer da noite, mostrou potencial para o desenvolvimento do Carnaval de Bauru. Se faltou público, o amadorismo que normalmente se espera dos blocos fui substituído por um senso de espetáculo promissor. Isso, sem deixar de lado a descontração dos blocos, que, na medida certa, pode animar a noite de foliões que não estão na pista.

O segundo bloco a desfilar, Unidos do Bela Vista, veio mais modesto, com poucas alas e muitas crianças; eles disseram mais no pé que no visual. A presença de crianças, aliás, foi marcante entre ou blocos. Meninas e meninos brilharam na bateria, como cabrochas ou sobre carros alegóricos.

A Estrela do Samba, de Tibiriçá, também veio sem muita pretensão. Usou camisetas para uniformizar os passistas, veio com uma bateria firme e uma grande novidade: duas mulheres puxando o samba.

Bloco pode ser desclassificado

O bloco Solteironas, quinto a desfilar anteontem no Sambódromo, pode ser desclassificado do Carnaval 2001. O motivo é o número reduzido de integrantes: 13, sendo que sete deles chegaram à passarela do samba quando os colegas já estavam na metade do percurso.

Pelas regras da Liga das Escolas de Samba e Entidades Carnavalescas (Lesec), um bloco deve ter, no mínimo, 50 integrantes. Outro problema foi que o Solteironas extrapolou em quase 10 minutos o tempo de desfile, quando deveria ter passado pelo Sambódromo em 20 minutos.

De longe o mais displicente dos blocos, o Solteironas tem como integrantes homens vestidos com roupas femininas. Mas nem todos seguiram o figurino: alguns preferiram usar blusas com nó ou arregaçadas, calçando modelos diferentes em cada pé.

O desfile, também, não mudou os hábitos dos integrantes. Um deles não pensou duas vezes e parou, durante o desfile, para acender um cigarro. Outros aproveitaram a farra para tascar beijos nas mulheres que os assistiam das arquibancadas. Nem todas gostaram da iniciativa.

Antes do Solteironas, passou pelo Sambódromo o bloco Capoeira, cujo tema do desfile foi Capoeira no Tempo da Escravidão. Vestidos de branco e dançando/lutando capoeira, atravessaram a passarela do samba entoando Marinheiro Só. Foi o momento relax da noite.

Verona / Pé de Varsa

O desfile do bloco Verona, do Gasparini, foi o primeiro da noite de sábado a despertar algum enstusiasmo no público do Sambódromo. Com uma estrutura de mini escola de samba, o bloco também teve a feliz iniciativa de distribuir a letra de seu samba, chamando a participação das pessoas na arquibancada.

O enredo Verona na Apoteose do Mar foi bem aproveitado pelo bloco, que desfilou com fantasias caprichadas - inclusive com sapatilhas uniformizadas - e coerentes com o tema. A comissão de frente veio de Iemanjá, seguido do carro abre-alas, com um imenso tigre à frente, alegoria símbolo do bloco. Com muito colorido, outra ala do que chamou a atenção foi a dos jangadeiros, além da ala das crianças e a bateria - comandada pelo mestre Pelezinho -, redonda do começo ao fim do desfile.

O último carro, simbolizando Netuno e as criaturas do mar, fez bonito e até melhor que algumas escolas de samba. Com desfile enxuto, com boa harmonia e animação, o bloco é forte concorrente a campeão na categoria especial.

Depois do Verona, entrou o tradicional Pé de Varsa, da Vila Falcão, com o samba enredo Nelson Saudade Gonçalves, homenageando o cantor símbolo da boemia.

O bloco campeão do ano passado deixou a desejar em seu desfile, com poucas fantasias e número de integrantes reduzido. Embora animado, a participação do Pé de Varsa - somada à ausência da Mocidade Independente no desfile, outra agremiação da Vila Falcão -, faz se questionar sobre o futuro do Carnaval naquela região da cidade.

* (Colaborou Daniela Bochembuzo e Ricardo Polettini)

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